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Justiça ordena internação de acusado de feminicídio em Cuiabá ou clínica privada

Decisão determina que governo de Mato Grosso arque com custos de hospital particular caso não haja vaga no Adauto Botelho.

Por Redação VORA News
Justiça ordena internação de acusado de feminicídio em Cuiabá ou clínica privada

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso determinou que o governo do Estado transfira imediatamente um homem para o Centro Integrado de Assistência Psicossocial (Ciaps) Adauto Botelho, em Cuiabá, ou para outro hospital público de custódia. Caso não existam vagas disponíveis, o Estado deverá pagar a internação integral em clínica psiquiátrica particular, inclusive se for fora de MT.

O réu é acusado de matar a ex-companheira com golpes de faca em março de 2023, em Juscimeira, na presença dos filhos da vítima. Ele foi considerado inimputável após perícia psiquiátrica constatar esquizofrenia e psicose por dependência química grave, o que o tornou incapaz de controlar suas ações na época do crime.

Embora absolvido sumariamente em junho deste ano, o homem foi submetido a uma medida de segurança com internação mínima de três anos. Desde a prisão, em março de 2023, ele permanece na Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, em Rondonópolis, devido à falta de leitos no sistema público.

A decisão foi tomada por unanimidade pela 2ª Câmara Criminal após habeas corpus da Defensoria Pública. O desembargador relator Rui Ramos Ribeiro afirmou que manter alguém reconhecido como inimputável em presídio comum transforma a medida terapêutica em encarceramento aflitivo, ressaltando que a falta de verba ou estrutura pública não justifica a violação de garantias fundamentais.

A Procuradoria-Geral de Justiça havia manifestado-se contra o pedido, argumentando que a permanência no presídio era excepcional devido à gravidade do crime e ao risco representado pelo réu. No entanto, a Câmara discordou do parecer, mantendo a obrigatoriedade da internação em ambiente hospitalar.

O tribunal negou a possibilidade de tratamento ambulatorial ou prisão domiciliar por falta de avaliação técnica recente e pelo risco a terceiros. A ordem de cumprimento imediato foi enviada ao juiz de Juscimeira e às secretarias de Saúde e de Segurança Pública.

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