Multas de R$ 42,9 milhões combatem agrotóxicos no Xingu, em Mato Grosso
Fiscalizações resultaram em 19 autos de infração após denúncias de contaminação em terras indígenas.

Ações de fiscalização na região do Xingu, em Mato Grosso, resultaram na aplicação de R$ 42,9 milhões em multas e na emissão de 19 autos de infração. As medidas foram intensificadas após recomendações do Ministério Público Federal (MPF), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Defensoria Pública da União (DPU) para enfrentar a presença de agrotóxicos em alimentos, rios e água da chuva consumidos por comunidades indígenas.
A Operação Ceres, conduzida pelo Ibama no início de 2026, identificou irregularidades como o armazenamento inadequado de substâncias, uso de produtos vencidos, descarte incorreto de embalagens e a queima de materiais químicos. Além disso, foram detectadas atividades de aviação agrícola para pulverização operando sem o devido licenciamento ambiental.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) localizou 34 operadores aeroagrícolas em nove municípios, sendo 29 com aeronaves tripuladas e cinco com drones. O órgão abriu processos administrativos para todos os operadores e lavrou 11 autos de infração por falhas em relatórios e descumprimento de intimações, encaminhando os casos ao Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT).
No campo da saúde, foi prevista a implantação da Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA) nos municípios da região. A iniciativa conta com orientações do Ministério da Saúde e capacitações da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso para a notificação e o acompanhamento de casos de intoxicação.
O monitoramento de resíduos em alimentos foi realizado pelo Mapa em março, com coletas em Canarana, Gaúcha do Norte, Querência e São José do Xingu. Para a água, a recomendação estabelece a criação de estações da Rede Nacional de Monitoramento da Qualidade da Água para a detecção contínua de agrotóxicos em fontes superficiais, subterrâneas e pluviais.
O procurador da República Gabriel Infante Magalhães Martins afirmou que a situação no entorno da Terra Indígena do Xingu exige atuação coordenada do poder público. Segundo o procurador, é necessário prevenir novas ocorrências e monitorar a qualidade da água e dos alimentos para proteger a saúde das comunidades indígenas.
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