Moradora de Várzea Grande relata falta de água e baixa qualidade no serviço
Residente do Residencial Flor do Ipê convive com irregularidades no abastecimento há dez anos em Mato Grosso.

Sofia Laura, moradora do Residencial Flor do Ipê, em Várzea Grande, Mato Grosso, relata que convive há dez anos com a irregularidade no fornecimento de água. A dona de casa afirma que, ao abrir a torneira, frequentemente encontra o líquido com cheiro desagradável, cor escura e resíduos, o que gera incerteza sobre a qualidade da água para higiene pessoal.
Para garantir o consumo da família de cinco pessoas, a moradora mantém mais de dez galões de água, gerando um gasto extra mensal entre R$ 170 e R$ 180. A água da rede é utilizada apenas para limpeza da casa e banhos, desde que haja volume suficiente. Sofia conta que as interrupções duram geralmente de dois a três dias, mas já chegaram a ultrapassar uma semana.
A situação levou os moradores do bairro a criarem um grupo de mensagens para alertar uns aos outros sobre a interrupção do serviço, permitindo que antecipem tarefas domésticas. Sofia aponta que o sistema local depende de poços e carece de manutenção e de uma Estação de Tratamento de Água própria, mencionando que a estrutura apresenta grades danificadas e vegetação.
Para enfrentar a crise hídrica em Várzea Grande, o Governo de Mato Grosso, a Prefeitura e o Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG) assinaram o TAC Aliança pela Água em 22 de julho. O acordo, fiscalizado por órgãos como o Ministério Público de Mato Grosso e a Ager-MT, prevê um aporte estadual de até R$ 60 milhões para intervenções na produção e distribuição.
Dados do acordo revelam que Várzea Grande perdeu 67,39% da água durante a distribuição no primeiro semestre de 2025, índice superior à referência nacional de 39%. Além disso, uma vistoria da Ager-MT constatou que 42% dos ativos examinados, como reservatórios e poços, não estavam operando no momento da fiscalização.
O cenário é agravado pela situação financeira do DAE, que registrou déficit orçamentário de R$ 28,7 milhões em 2023 e possui dívidas de R$ 172,2 milhões com a concessionária de energia. O plano emergencial do TAC inclui a recuperação de até 34 poços, reforço com oito caminhões-pipa e a instalação de sensores para monitoramento remoto.
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