Manejo inicial da soja é decisivo para a produtividade em Mato Grosso
Especialistas da Aprosoja MT orientam controle de pragas e plantas daninhas nos primeiros 30 dias da cultura.

Pesquisadores dos Centros Tecnológicos da Aprosoja MT, nas regiões do Araguaia e dos Parecis, alertam que os primeiros 30 dias após a emergência da soja são cruciais em Mato Grosso. Esse período define a formação do estande, o desenvolvimento das raízes e o estabelecimento da cultura, especialmente em uma safra com custos de produção elevados.
Rodrigo Knevitz Hammerschmitt, coordenador de pesquisa do CTECNO Parecis, destaca que o processo inicia com a escolha de sementes de alto vigor. Após o plantio, é necessário monitorar a uniformidade da emergência e a quantidade de plantas, avaliando a necessidade de replantio com cautela devido ao alto custo de sementes e tratamentos.
O combate às plantas daninhas é apontado como um dos maiores desafios iniciais. André Somavilla, coordenador de pesquisa do CTECNO Araguaia, explica que a atenção deve ser redobrada até o fechamento das entrelinhas para evitar a competição por luz, água e nutrientes, o que poderia comprometer a colheita e a qualidade dos grãos.
O monitoramento de pragas como lagartas, besouros e percevejos também é indispensável. Os especialistas recomendam investigar a causa de plantas debilitadas antes de aplicar defensivos, pois em solos siltosos, chuvas intensas podem causar o endurecimento da superfície e dificultar a emergência, simulando danos por insetos.
Sobre a nutrição, a verificação da fixação biológica de nitrogênio deve ocorrer entre 20 e 30 dias após a emergência, observando a coloração rosada ou avermelhada dos nódulos nas raízes. A adubação de cobertura com cloreto de potássio e as aplicações de fungicidas devem seguir o cronograma técnico, geralmente entre 15 e 25 dias.
Diogo Balistieri, vice-presidente Norte da Aprosoja MT, relata que limitações financeiras levaram alguns produtores a reduzir ou suspender a adubação. Embora diminua o gasto imediato, a medida pode prejudicar o rendimento futuro, dependendo da fertilidade acumulada no solo de cada propriedade.
O manejo deve ser adaptado ao tipo de solo em MT: solos arenosos exigem atenção ao estresse hídrico, siltosos ao selamento superficial e argilosos à compactação por máquinas. A recomendação final é evitar a aplicação de inseticidas sem monitoramento e não adiar o controle de invasoras.
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