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Deputado questiona classificação de feminicídio em Nova Mutum, MT

Gilberto Cattani contestou a natureza do crime que vitimou a própria filha para defender correligionária.

Por Redação VORA News
Deputado questiona classificação de feminicídio em Nova Mutum, MT

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) afirmou, na Assembleia Legislativa, que sua filha, Raquel Maziero Cattani, não foi assassinada por ser mulher. A declaração ocorreu no dia 7 de outubro, em defesa da deputada paulista Eduarda Campopiano (PL), que nega a existência do feminicídio.

Raquel, de 26 anos, foi morta em julho de 2024, em Nova Mutum, com mais de 30 golpes de faca. O Tribunal do Júri condenou, em janeiro de 2026, os irmãos Romero Xavier Mengarde, apontado como mandante, e Rodrigo Mengarde, executor, a penas de 30 e mais de 33 anos de prisão, respectivamente, reconhecendo o feminicídio.

A fala atual do parlamentar contrasta com a justificativa do Projeto de Lei 144/2026, apresentado por ele mesmo em fevereiro. Na proposta, que visa proteger órfãos da violência e leva o nome da filha, Cattani descreveu Raquel como vítima de feminicídio.

Mato Grosso registrou 53 feminicídios em 2025, superando os 47 casos do ano anterior. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, o estado possui a terceira maior taxa do país, com 2,7 mortes por 100 mil mulheres.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso informou que quase 80% desses crimes foram cometidos por parceiros íntimos, frequentemente motivados por ciúmes ou recusa em aceitar o fim do relacionamento.

A deputada federal Coronel Fernanda (PL) divergiu publicamente de Cattani, afirmando que ele desconhece a legislação e defendendo a manutenção da proteção às mulheres.

Até o fechamento da apuração, não foram localizados posicionamentos públicos de lideranças como Janaina Riva, Virginia Mendes, Margareth Buzetti, Paula Calil, Gisela Simona, Flávia Moretti e Samantha do Abílio, nem de órgãos como a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá.

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