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Justiça é acionada para evitar fechamento de comarca em Campinápolis, MT

Ação popular questiona extinção de unidade judiciária com mais de 1,5 mil processos pendentes no Vale do Araguaia.

Por Redação VORA News
Justiça é acionada para evitar fechamento de comarca em Campinápolis, MT

O advogado Misael Luiz Inácio protocolou uma ação popular na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá para impedir a extinção da comarca de Campinápolis, em Mato Grosso. A medida visa suspender a transferência de processos para Nova Xavantina e a publicação de resoluções sobre o fechamento da unidade, prevista em reestruturação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

A proposta, aprovada pelo Pleno do TJMT em setembro, prevê a extinção das comarcas de Campinápolis, Nortelândia e Dom Aquino. O desembargador José Luiz Leite Lindote, corregedor-geral da Justiça, defendeu a medida alegando a necessidade de ajustar a estrutura à demanda. O texto ainda aguarda análise da Assembleia Legislativa e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Na ação, o autor argumenta que a decisão carece de motivação suficiente e baseou-se apenas em indicadores quantitativos. Ele destaca que Campinápolis atende aos requisitos do Código de Organização Judiciária do Estado, com 15,9 mil habitantes e 1.576 processos pendentes, além de ter registrado 640 casos novos em 2026, superando o mínimo legal de 500.

A petição ressalta o impacto social para a população indígena, que representa 55% dos moradores da cidade, majoritariamente do povo Xavante. O advogado afirma que a mudança para Nova Xavantina, distante 78 quilômetros, cria barreiras de transporte, idioma e acesso, solicitando a consulta prévia às comunidades conforme a Resolução 460/2022 do CNJ.

O processo questiona a diferença de tratamento entre Campinápolis e Novo São Joaquim, que manterá sua comarca mesmo tendo menos habitantes e menos casos novos. O autor sustenta que eventuais atrasos na unidade de Campinápolis são causados pela falta de servidores, problema que deveria ser resolvido com nomeações de concursos e não com o fechamento do fórum.

A ação requer que o Tribunal apresente os estudos técnicos, planilhas de economia e a análise de capacidade de absorção de processos por Nova Xavantina. Em aditamento, foi mencionado que o prédio do fórum de Campinápolis recebeu investimentos públicos expressivos e que, em 2025, a unidade registrou 742 processos novos.

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