Mulheres em Mato Grosso não identificam violência doméstica, aponta DataSenado
Levantamento indica que 29% das mato-grossenses relataram agressões sem reconhecê-las espontaneamente como violência.

Uma pesquisa do DataSenado revelou que 29% das mulheres em Mato Grosso descreveram episódios de violência ao serem questionadas sobre situações específicas vividas nos últimos 12 meses. No entanto, quando perguntadas diretamente se sofreram violência doméstica ou familiar no mesmo período, apenas 14% confirmaram. O índice de 29% no estado é equivalente ao registrado em nível nacional.
Considerando toda a vida, 33% das mulheres em MT afirmaram ter sofrido violência doméstica ou familiar cometida por homens. Entre essas vítimas, a violência psicológica foi relatada por 88%, a física por 84% e a moral por 70%. Em 59% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro, e 10% das vítimas identificadas ainda convivem com o agressor.
Sobre as causas dos episódios mais graves, 59% das vítimas citaram ciúmes, 52% mencionaram a não aceitação do término do relacionamento e 43% relataram que o homem estava embriagado. Os impactos foram sentidos no cotidiano de 72% das mulheres, com reflexos nos estudos para 45% e na vida profissional para 43% das entrevistadas.
O estudo aponta lacunas no conhecimento legal: 70% das mulheres em Mato Grosso conhecem pouco a Lei Maria da Penha e 84% possuem conhecimento superficial ou inexistente sobre as medidas protetivas. Apesar disso, 97% conhecem a Defensoria Pública e 93% a Delegacia da Mulher.
A coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, Maria Teresa Prado, afirmou que as políticas públicas devem garantir que as mulheres tenham informação para reconhecer a violência e seus direitos. Beatriz Accioly, do Instituto Natura, reforçou que nomear as agressões é decisivo para que as vítimas busquem proteção.
O debate sobre a natureza dos crimes também aparece no estado. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso reconheceu como feminicídio o assassinato de Raquel Maziero Cattani, ocorrido em julho de 2024. O crime foi cometido por Rodrigo Xavier Mengarde a mando do ex-marido da vítima, Romero Xavier Mengarde, que não aceitava o fim da relação.
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