Mães atípicas enfrentam sobrecarga e buscam apoio em Mato Grosso
Relatos de mulheres em Poxoréu e outras cidades de MT destacam a necessidade de políticas públicas para cuidadoras.

Mães atípicas de diferentes cidades de Mato Grosso relatam a complexidade de conciliar a rotina de cuidados, terapias e trabalho. A advogada Jennyfer Bathemarque, residente de Poxoréu, divide seu tempo entre a cidade e Rondonópolis para acompanhar o filho Isaac, de 4 anos, que possui autismo nível 2 de suporte e passou por cirurgia cardíaca na infância.
A sobrecarga impactou a saúde mental de Jennyfer, que enfrentou uma crise de pânico no ano passado, resultando em dez dias de insônia e necessidade de tratamento psicológico e medicamentoso. A profissional relatou que precisou adiar sonhos, como congressos e uma pós-graduação em parceria com universidade dos Estados Unidos, para priorizar a assistência ao filho.
A enfermeira Aline Fedatto também compartilha desafios semelhantes com o filho Benício, de 9 anos, diagnosticado com autismo nível 3 de suporte. Aline descreveu o processo de luto pela perda do filho idealizado após Benício apresentar perda de habilidades adquiridas aos 1 ano e 7 meses, fenômeno que ela associa à poda neuronal.
A neuropsicopedagoga Eliane Medeiros explica que a sobrecarga pode levar essas mulheres à depressão e à perda da própria identidade, já que muitas deixam de se reconhecer como mulheres para serem vistas apenas como cuidadoras, trabalhadoras e donas de casa.
Diante desse cenário, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso discute propostas para ampliar a proteção a esse grupo. O deputado Valdir Barranco propôs o Projeto de Lei 2.143/2023, que cria o Programa de Atenção, Cuidado e Orientação às Mães Atípicas, com foco em suporte psicossocial e assistência à saúde física e mental.
O projeto de lei incorpora outras iniciativas, como a prioridade de atendimento em serviços públicos e privados e a capacitação em noções básicas de enfermagem. O parlamentar afirma que a medida visa apoiar mulheres que acumulam as funções de mãe, enfermeira e provedora da família.
Outra frente de atuação no estado é o Projeto de Lei 5/2025, de autoria do deputado Eduardo Botelho, que busca estimular o empreendedorismo para ampliar a autonomia financeira e a geração de renda para as mães atípicas.
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