Prefeito de Cuiabá rebate fala de deputada sobre feminicídio
Abilio Brunini afirma que o crime existe, mas defende a separação de estatísticas para evitar a banalização do termo.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), manifestou-se nesta terça-feira (6) sobre a declaração da deputada estadual eleita em São Paulo, Eduarda Campopiano (PL), que afirmou não acreditar na existência do feminicídio. Abilio classificou a fala da correligionária como um equívoco e reconheceu que o crime é real.
Para o prefeito de Mato Grosso, a falta de distinção nas estatísticas entre feminicídios, crimes passionais e mortes ligadas a facções criminosas prejudica a identificação dos fatos. Ele defendeu que a classificação seja mais precisa para evitar que o termo seja banalizado e para garantir a correta penalização dos crimes.
Abilio interpretou que a deputada quis dizer que assassinatos motivados por traição são crimes passionais, e não necessariamente cometidos pelo fato de a vítima ser mulher. Ele exemplificou a situação comparando com casos em que mulheres matam parceiros por traição, questionando se a motivação seria o gênero ou a infidelidade.
A deputada Eduarda Campopiano, que obteve 1.956.238 votos segundo o TRE-SP, é vereadora em Praia Grande (SP) e se declara antifeminista. A frase sobre a inexistência do feminicídio foi dita em um debate anterior às eleições e voltou a ser discutida após o resultado das urnas.
O prefeito também questionou se execuções de mulheres cometidas por facções criminosas, por exemplo, por dívidas de drogas, deveriam ser contabilizadas como feminicídio ou como crimes do tráfico. Ele reiterou que matar uma mulher por ser mulher é a definição do crime.
No Brasil, o feminicídio é tratado como crime autônomo desde a Lei 14.994, de outubro de 2024. A legislação prevê pena de 20 a 40 anos de prisão para assassinatos motivados por menosprezo, discriminação ou violência doméstica e familiar.
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