Indígenas viajam até 9 horas de barco para votar no Parque do Xingu, em MT
Operação da Justiça Eleitoral na Aldeia Pavuru atendeu 405 eleitores de 21 aldeias da região.

A Justiça Eleitoral instalou duas seções de votação na Aldeia Pavuru, no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso. A estrutura atendeu 405 indígenas vindos de 21 aldeias diferentes. Para viabilizar o processo, cinco urnas eletrônicas, sendo duas para uso e três de reserva, foram transportadas de avião no sábado anterior ao pleito.
O acesso ao local de votação exigiu longos deslocamentos fluviais. Dependendo da aldeia de origem, os eleitores levaram entre seis e nove horas de barco pelo Rio Xingu. Para Yauapi Kamayurá, a viagem foi motivada pela necessidade de escolher representantes para o Congresso Nacional.
A operação contou com a implementação da identificação biométrica, o que agilizou o processo. O coordenador Adriano dos Santos relatou que, enquanto em eleições passadas a votação se estendia após as 17h, desta vez as seções estavam vazias por volta das 15h, apesar do maior número de eleitores. Ele ressaltou, porém, que as distâncias dificultaram o comparecimento de algumas pessoas.
Indígenas da região também atuaram como mesários. Pitoga Makne Txikão, um dos voluntários, afirmou que a participação no processo eleitoral é fundamental para que os povos indígenas tenham seus direitos reconhecidos e valorizados perante a população brasileira.
Para Lucio Koroenta, que participou da votação, o ato de votar é uma maneira de buscar candidatos que defendam os direitos e apresentem projetos voltados aos povos originários.
Devido às dificuldades de acesso, a apuração foi agilizada com o envio remoto dos dados. O técnico de urna Marilson Oliveira Correa explicou que as mídias de resultado foram lidas em um notebook e transmitidas via VPN interna para o Tribunal Superior Eleitoral.
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