Ex-secretário de Saúde nega irregularidades em CPI em Cuiabá, MT
Gilberto Figueiredo defendeu pagamentos sem licitação e criticou relatório preliminar apresentado pela comissão.

O ex-secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, prestou depoimento nesta quarta-feira (14) à CPI da Saúde na Assembleia Legislativa, em Cuiabá. Durante a audiência, ele negou a existência de acordos irregulares com empresas e afirmou que a comissão não apresentou fatos novos, citando que as questões já foram analisadas pelo Ministério Público, Tribunal de Contas e pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção.
Sobre os pagamentos indenizatórios que somam mais de R$ 1,1 bilhão, realizados sem licitação ou contrato, Figueiredo defendeu a prática. Ele argumentou que a modalidade já ocorria em gestões anteriores e era necessária para salvar pacientes em casos de urgência, como a compra de medicamentos fora de estoque. O ex-secretário admitiu ter ignorado recomendações da Controladoria-Geral e da Procuradoria-Geral do Estado por considerá-las burocráticas.
Questionado sobre a relação com empresas investigadas, Gilberto afirmou que reuniões ocorreram na presença de terceiros, como na sala de situação da pandemia, e negou ter recebido benefícios. Ele declarou que saiu do cargo mais pobre do que entrou e destacou que suas contas do período pandêmico foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado.
O ex-gestor criticou a apresentação de um relatório preliminar pelo presidente da CPI, deputado Wilson Santos, quatro dias antes do primeiro turno das eleições. Gilberto, que concorreu a deputado estadual e não foi eleito, questionou o momento da divulgação e afirmou que a função de elaborar o relatório cabe ao relator, não ao presidente da comissão.
Sobre as denúncias envolvendo a chamada mulher da SES, que teria influência em contratações, Figueiredo classificou as perguntas como misoginia. Ele defendeu as servidoras da pasta e afirmou que a denúncia anônima prejudicou a imagem de uma funcionária dedicada.
O deputado Wilson Santos rebateu as declarações, sustentando que qualquer membro da CPI pode apresentar parecer próprio. O parlamentar afirmou que o ex-secretário não justificou o crescimento dos pagamentos indenizatórios após a pandemia, nem os valores superiores a R$ 140 milhões destinados ao grupo Einstein. A CPI deve encerrar os trabalhos em janeiro.
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