Eleitorado de Cuiabá, Sinop, Várzea Grande e Rondonópolis migra para a direita
Dados do TSE mostram mudança de eixo político nas quatro maiores cidades de Mato Grosso nas últimas décadas.

O perfil eleitoral das quatro maiores cidades de Mato Grosso, abrangendo Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop, passou por transformações significativas desde 1989. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o eleitorado, que já foi majoritariamente de direita e depois migrou para a esquerda, retornou ao campo conservador a partir de 2014.
Entre 1989 e 1998, a direita dominou a região. Fernando Collor foi o mais votado em 1989, com destaque para 69,6% em Sinop. Fernando Henrique Cardoso manteve a tendência em 1994 e 1998, atingindo seu pico em 1998 com 77,4% dos votos em Sinop e 72,9% em Várzea Grande.
A configuração mudou em 2002, quando Lula venceu nas quatro cidades, alcançando 66,2% em Cuiabá e 65,4% em Várzea Grande. A hegemonia da esquerda persistiu até 2010, com Dilma Rousseff vencendo em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, embora Sinop tenha optado por José Serra com 59,5%.
A virada para a direita recomeçou em 2014, com Aécio Neves vencendo em Cuiabá, Rondonópolis e Sinop. Em 2018, Jair Bolsonaro consolidou essa tendência ao vencer nos quatro municípios, registrando 77,4% em Sinop e 66,9% em Cuiabá, estabelecendo a força do bolsonarismo no estado.
Nas eleições de 2022 e 2026, a direita manteve a liderança nos quatro centros urbanos. Em 2026, Flávio Bolsonaro obteve 76,7% em Sinop, 64,8% em Rondonópolis, 57,7% em Cuiabá e 56,4% em Várzea Grande, confirmando a preferência pelo campo bolsonarista pelo terceiro pleito consecutivo.
A análise revela que a redução da vantagem da direita não é uniforme em Mato Grosso. Enquanto Cuiabá registrou a maior queda de votação bolsonarista desde 2018, com recuo de 9,2 pontos percentuais, Sinop manteve a estabilidade, com variação de apenas 0,7 ponto entre 2018 e 2026.
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