Análise de carcaças ajuda a identificar predadores em Poconé, Mato Grosso
Projeto do Instituto Impacto utiliza vestígios biológicos e câmeras para monitorar hábitos de onças e outras espécies no Pantanal.

O Instituto Impacto desenvolve a série CSI Pantanal para investigar a causa de morte de animais no Pantanal mato-grossense. Através da análise de carcaças, os pesquisadores e médicos veterinários Paul Raad e Samuel F. Bressan buscam identificar quais predadores atacaram as presas na região.
Em um dos casos ocorridos em Poconé, MT, a equipe analisou a carcaça de uma ema encontrada perto da Pousada Piuval. A identificação de ossos quebrados, marcas de mordida no pescoço e o fato de o corpo estar coberto por palha levaram os especialistas a apontar a onça-parda como a provável autora do ataque.
Outras investigações focaram na onça-pintada Baía, que deixou carcaças de jacarés próximas a um lago. A equipe observou aberturas no peito e consumo de órgãos internos, associando esses sinais ao felino. A redução do nível da água no local teria deixado os répteis mais vulneráveis.
O monitoramento também registrou a onça-pintada Bayou atacando uma capivara. Embora o animal tenha escapado inicialmente, foi encontrado morto mais de 24 horas depois, com fratura no crânio e lesões na cabeça compatíveis com a agressão filmada.
A metodologia do instituto inclui a observação de marcas de dentes, rastros de arrasto e a instalação de câmeras e armadilhas para coleta de pelos. Em alguns casos, como o de primatas encontrados em uma torre, a análise de fraturas sugeriu a ação de aves de rapina, como a harpia, embora sem confirmação definitiva.
O Instituto Impacto ressalta que possui capacitação e autorização para realizar as análises. A recomendação para pessoas que encontrarem carcaças de animais na natureza é que se afastem, pois o predador pode estar próximo ou retornar para se alimentar.