PF apura folha paralela de R$ 48 milhões no TCE em Cuiabá, Mato Grosso
Operação Tomada de Contas resultou na prisão do presidente da corte e no afastamento de conselheiros.

A Polícia Federal identificou a existência de uma folha de pagamento paralela no Tribunal de Contas do Estado (TCE) em Cuiabá, Mato Grosso. Entre janeiro e outubro do ano passado, membros do órgão receberam R$ 48,5 milhões, valor que diverge dos R$ 2,2 milhões registrados oficialmente no Portal da Transparência no mesmo período.
As transferências eram feitas por ordens bancárias avulsas e pelo canal de pagamento de fornecedores. O presidente da corte, Sérgio Ricardo de Almeida, que teve a prisão preventiva decretada, recebeu R$ 15,4 milhões. Outros repasses foram destinados aos conselheiros Guilherme Maluf, com R$ 10,6 milhões, José Carlos Novelli, com R$ 8,9 milhões, e ao procurador de contas Alisson de Carvalho Alencar, que recebeu R$ 8,1 milhões.
O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou o afastamento imediato de Maluf, Novelli e Alencar. A defesa de Sérgio Ricardo afirmou que a prisão é ilegal e não possui elementos concretos, citando que o Ministério Público Federal se manifestou contra a medida. O TCE-MT informou que cumprirá as determinações judiciais e que as atividades do órgão seguem regulares.
Outros três conselheiros também aparecem na folha paralela: Gonçalo Domingos de Campos Neto, com R$ 3,1 milhões, Antônio Joaquim Moraes Rodrigues Neto, com R$ 2,3 milhões, e Waldir Teis, com R$ 1,5 milhão. Embora não tenham sofrido restrições de direitos, a PF classificou a situação como limítrofe e pretende aprofundar as checagens.
A investigação começou após denúncia anônima sobre propinas, onde fornecedores do tribunal pagariam fatias das verbas ao grupo liderado pelo presidente. Além disso, a PF mapeou o fluxo de emendas parlamentares da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que somaram R$ 50 milhões em 2025 e R$ 62,4 milhões em 2026, com parte dos valores destinados a indenizações.
A operação deflagrada na última quinta-feira cumpriu seis mandados de prisão preventiva, 26 de busca e apreensão, além de sequestro de bens e quebras de sigilo. A Polícia Federal aponta indícios de lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra a administração pública.
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