Denúncia aponta fraude em licitação de R$ 20 milhões da Fiems em Campo Grande
Investigação do Ministério Público apura se edital para compra de usina solar foi direcionado para empresa ligada ao presidente da entidade.

Uma denúncia enviada ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) aponta supostas irregularidades em uma licitação da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), em Campo Grande. O processo, lançado em 30 de setembro para a compra de uma usina de energia solar com investimento de R$ 20 milhões, estaria direcionado para a Usina San Vito Solar, empresa supostamente ligada ao presidente da entidade, Sérgio Longen.
O documento anônimo afirma que a vitória da San Vito teria sido combinada desde janeiro de 2026 entre Longen e a Parisi S.A., do empresário Massimo Parisi. A denúncia sugere que o edital foi elaborado por um engenheiro da MS Energy para incluir exigências técnicas específicas, como a potência mínima de 600 Wp por módulo, que eliminariam concorrentes e favoreceriam a San Vito, que utiliza módulos de 695 W.
A investigação também analisa a estrutura societária da usina. A San Vito Solar é administrada pela A. P. Gestão Empresarial, controlada por Alessia Parisi. Documentos públicos indicam que Alessia assumiu cinco CNPJs do pai entre abril e julho de 2026, manobra que a denúncia associa a um tentativa de proteger o patrimônio pessoal de Massimo Parisi, cuja empresa principal entrou em recuperação judicial em fevereiro com dívidas de R$ 56,92 milhões.
Outros vínculos foram citados na denúncia, incluindo valores a receber da MS Energy por parte do vice-presidente da Fiems, Luiz Gonzaga Crosara Júnior, e da Alira Empreendimentos, controlada por Jaime Verruck, ex-diretor da federação. A Controladoria-Geral da União (CGU) informou que pode incluir suspeitas de fraudes em licitações de tecnologia na próxima auditoria do Sistema S no estado.
A Fiems, que recebe recursos parafiscais da Receita Federal, não respondeu aos questionamentos sobre a denúncia. Da mesma forma, a assessoria jurídica da entidade, a MS Energy, a Parisi S.A. e os citados Luiz Gonzaga Crosara Júnior e Jaime Verruck não se manifestaram até o momento.
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