Tecnologia e agricultura familiar impulsionam produção de café em Nova Monte Verde, MT
Investimentos em pesquisa e clones adaptados elevaram a produtividade do grão em Mato Grosso.

A família Campanucci retomou o cultivo de café em sua propriedade de 12,5 hectares em Nova Monte Verde, Mato Grosso. A atividade, que já era tradição dos avós, voltou a ser a principal fonte de renda da nova geração, com nove hectares dedicados às lavouras. Marcos Campanucci relata que a decisão de retornar ao plantio ocorreu após um período de crise nos preços do mercado.
O crescimento da cafeicultura no estado é apoiado por políticas públicas, como o programa MT Produtivo, criado pelo Governo de Mato Grosso em 2015. Dados da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) indicam que, entre 2019 e 2025, a produção cresceu mais de 100% e a produtividade subiu mais de 270%, com investimentos superiores a R$ 4,4 milhões em mudas, máquinas e pesquisas.
Para garantir a eficiência do cultivo, a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) validou 50 clones de café para identificar os materiais genéticos com melhor desempenho nas regiões Norte e Centro Oeste, incluindo Tangará da Serra. A pesquisadora Danielle Muller explica que o objetivo é oferecer segurança ao agricultor, evitando atividades de risco.
O foco do estado é o café canéfora, do grupo Robusta Amazônico. Segundo a pesquisadora Dalilhia Santos, a cultura é ideal para a agricultura familiar por demandar muita mão de obra e exigir áreas menores para gerar alta rentabilidade, o que reduz a pressão por desmatamento em comparação a commodities como a soja.
A modernização elevou a produtividade média de oito ou nove sacas por hectare para 26 sacas. Em propriedades que utilizam tecnologias avançadas, a colheita pode ultrapassar 100 sacas por hectare. No caso da família Campanucci, a média atingiu 90 sacas por hectare na área mais antiga da fazenda.
Apesar do avanço, a estrutura de secagem e processamento ainda é um desafio. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) identificou, na safra de 2026, dificuldades em polos como Colniza e Juína, onde a demora no processamento causou perdas por mofo e fermentação. Marcos Campanucci destaca que a secagem artesanal, embora melhore a qualidade, é dificultada pelas chuvas no início da safra.