Motorista de BMW vira réu por morte de motociclista em Cuiabá, MT
Acusado dirigia sem habilitação e a 177 km/h na Avenida Isaac Póvoas no momento do acidente.

Hercílio Junio Freitas Cordeiro tornou-se réu pela morte de Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, e pela tentativa de homicídio contra Guilherme Nunes Medeiros. O caso ocorreu na madrugada de 30 de agosto, na Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá, Mato Grosso, quando o acusado atingiu duas motocicletas com um veículo BMW.
A denúncia do Ministério Público foi aceita na quarta-feira (7) pelo juiz André Barbosa Guanaes Simões. O magistrado manteve a prisão preventiva de Hercílio e retirou o segredo de justiça do processo. O réu responderá por crimes de trânsito, tentativa de homicídio e homicídio qualificado.
As investigações indicam que o motorista consumiu álcool em uma casa noturna e dirigia sem CNH. A primeira colisão aconteceu no cruzamento com a Avenida Presidente Marques, atingindo Guilherme, que estava parado no semáforo. Após o impacto, o condutor acelerou sem prestar socorro.
Um radar registrou a BMW a 177 km/h, com velocidade considerada de 165 km/h após a margem técnica, superando três vezes o limite de 50 km/h da via. Cerca de 700 metros depois, no cruzamento com a Rua Barão de Melgaço, o carro atingiu a traseira da moto de Paulo, que morreu no local com hemorragia interna e fraturas.
A promotora Élide Manzini de Campos, da 2ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, argumenta que o réu assumiu o risco de matar ao unir a embriaguez, a falta de habilitação e a alta velocidade. O Ministério Público solicitou que o caso vá ao Tribunal do Júri e pediu indenização mínima de R$ 1 milhão para as vítimas e familiares.
A defesa alegou que o acusado tem residência fixa, emprego e se apresentou espontaneamente à polícia, mas o juiz negou a liberdade por considerar que medidas como a tornozeleira eletrônica seriam insuficientes diante da gravidade dos fatos.
O veículo BMW permanece apreendido na Secretaria de Mobilidade Urbana para perícia no módulo do airbag. A Polícia Civil tem 15 dias para entregar exames toxicológicos, de alcoolemia e laudos do local. O réu terá dez dias para apresentar defesa escrita.
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