Justiça altera crime de homicídio para lesão corporal em Cláudia, MT
Decisão afasta o julgamento por júri popular em caso de morte ocorrida após briga em assentamento rural.

Um crime ocorrido em 15 de setembro de 2018, no assentamento Keno, zona rural de Cláudia, Mato Grosso, teve a classificação alterada pela Justiça. O caso, que envolvia a morte de um homem após uma briga, deixa de ser julgado pelo tribunal do júri e passa a tramitar como processo comum.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o acusado e a vítima possuíam uma desavença antiga relacionada à venda de madeira. Durante a discussão em um bar, o acusado teria desferido um soco no rosto da vítima e, posteriormente, um golpe de faca no abdômen. A vítima faleceu em novembro de 2018, após passar por cirurgias.
A defesa do acusado alegou legítima defesa, afirmando que ele foi agredido primeiro com um soco que causou fratura no nariz e na cova do olho, além de perda momentânea da visão. O réu relatou ter usado uma faca de trabalho para desferir um único golpe para se defender de um homem fisicamente mais forte.
A juíza do caso decidiu que não havia provas seguras para reconhecer a legítima defesa imediata, pois não houve exame pericial detalhado das lesões do acusado nem testemunhas do momento do golpe. Contudo, a magistrada pontuou que a falta de prova da legítima defesa não comprova a intenção de matar.
Diante disso, a Justiça acatou o pedido do Ministério Público para desclassificar a conduta para lesão corporal seguida de morte. A defesa argumentou que a morte teria sido causada por uma infecção após a vítima romper pontos de cirurgia ao erguer um saco de milho.
A decisão judicial refutou a tese da defesa, destacando que não houve testemunhas do episódio do saco de milho. Laudos médicos indicaram que a infecção e a perfuração intestinal foram decorrentes do ferimento provocado pela faca.
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