Aeronave-laboratório mede poluição do ar em Mato Grosso
Missão internacional utiliza avião adaptado para mapear gases de efeito estufa nos biomas Pantanal, Cerrado e Amazônia.

Uma operação científica internacional, denominada HALO / CoMet 3.0 Tropics, realiza medições de dióxido de carbono e metano no céu de Mato Grosso. O projeto é resultado de uma parceria entre o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e órgãos brasileiros, incluindo a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat).
A missão utiliza o Gulfstream G550, uma aeronave alemã modificada para atuar como laboratório aéreo capaz de atingir a estratosfera. O objetivo é mapear as concentrações de gases sobre a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal para distinguir as emissões de origem natural daquelas geradas por atividades humanas, como a agropecuária e as queimadas.
O estudo mobiliza 120 pesquisadores, divididos igualmente entre alemães e brasileiros. Para diferenciar a poluição local de gases vindos de outros estados ou países, as medições atmosféricas são combinadas com modelos estatísticos regionais e coletas diretas no solo.
O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Dirceu Herdies, destaca que a região do Pantanal é crítica devido às terras alagadas. Segundo ele, quantificar essas emissões é fundamental para que o estado compreenda o que é natural e o que é causado por humanos.
O professor e pesquisador da Unemat, Ernandes Sobreira, explica que o Pantanal, por possuir mais de 10 mil lagos, contribui significativamente para a emissão natural de metano. Ele afirma que a soma desses gases com os gerados por humanos agrava o efeito estufa.
A Unemat apoia a missão no planejamento de voos, processamento de dados e coletas terrestres, integrando programas de pós-graduação em Geografia, Ciências Ambientais e Gestão e Regulação de Recursos Hídricos. Andreas Fix, coordenador internacional do DLR, afirma que o suporte logístico e o conhecimento ecológico dos parceiros brasileiros são essenciais para a execução do estudo.
Além da Unemat, participam da articulação a UFMT, o Inpe, o Instituto de Pesquisa do Pantanal (INPP), a Sema-MT, a Seciteci-MT e a Fapemat. Rodrigo Zanin, secretário adjunto de Desenvolvimento da Seciteci-MT, ressalta que a cooperação visa transformar a tecnologia da missão em inovação local e políticas públicas.
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