Vereadores de Várzea Grande movimentaram mais de R$ 9 milhões em MT
Investigação do Gaeco apura esquema de corrupção, extorsão e controle administrativo na Câmara Municipal.

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) identificou movimentações financeiras atípicas que superam R$ 9 milhões nos últimos cinco anos. Os valores envolvem vereadores da Câmara Municipal de Várzea Grande, em Mato Grosso, conforme Relatórios de Inteligência Financeira produzidos pelo Coaf.
O inquérito apura a existência de uma organização criminosa voltada a delitos como corrupção, chantagem, extorsão e ameaça. O grupo teria como objetivos a manutenção da presidência da Câmara e o controle de órgãos estratégicos, incluindo o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE), com foco em possíveis processos de privatização ou concessão.
Entre os parlamentares citados, Dr. Miguel (Cidadania) lidera o volume de movimentação pessoal com R$ 3.170.953,00. O Sargento Galibert (PSB) movimentou R$ 427,1 mil, com destaque para 79 saques em espécie que somam R$ 199,4 mil. Já o presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB), é investigado por meio de seu núcleo familiar, com um sobrinho que registrou giro global superior a R$ 2,1 milhões.
Outros nomes aparecem no relatório, como Cilço da Cruz (PV), com movimentação de R$ 713 mil, e Enfermeiro Emerson (PP), que movimentou R$ 178,8 mil em outubro de 2025, incluindo depósitos de apostas online. Gisa Barros (Podemos) registrou R$ 153,3 mil em operações em espécie, enquanto Wender Madureira (Republicanos) possui uma cédula de crédito de R$ 192,6 mil.
A investigação também aponta cruzamentos de dados com figuras externas, como Nilton Borges Borgato, ex-secretário estadual e ex-prefeito de Glória D'Oeste, preso em 2022 por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. O núcleo ligado ao suplente Flávio de Oliveira Silva registrou transações que incluem a venda de um imóvel por R$ 472,2 mil.
Uma denúncia anônima detalhou a criação de um quartel-general da corrupção em uma chácara no distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá, pertencente ao vereador Dr. Miguel. O local teria sido usado para confinar 12 vereadores sob escolta de policiais à paisana para garantir a eleição da Mesa Diretora da Câmara.
O Gaeco agora confrontará os dados do Coaf com a realidade fiscal dos agentes públicos. O objetivo é comprovar se os recursos foram utilizados como moeda de troca para a manutenção do poder político e a articulação para a cassação da prefeita Flávia Moretti (PL).
Mais notícias de Várzea Grande ›
Mais notícias de Mato Grosso
- Pivetta quer declarar facções como terroristas: "Tolerância zero"
- Paula diz que operação em VG não afeta Câmara de Cuiabá
- Prefeitura compra 2 toneladas de pão de queijo e quase 2 mil garrafas de canjinjin
- Medeiros pede investigação sobre apoio a Lula e drogas na UFMT
- TRE-MT terá vias interditadas em Cuiabá durante o segundo turno das eleições
- Câmara decide reintegrar vereador que entregou carta de renúncia