Gargalo no beneficiamento de algodão gera riscos de exportação em Mato Grosso
Descompasso entre a colheita e o processamento da pluma pode causar disputas jurídicas e atrasos em entregas internacionais.

O setor de algodão em Mato Grosso enfrenta um descompasso logístico entre a retirada da matéria-prima do campo e a capacidade de processamento das usinas. O problema ocorre na etapa de beneficiamento, onde a fibra é embalada, classificada e descaroçada, colocando em risco os prazos de entrega para compradores externos.
Dados de setembro mostram a diferença no ritmo da cadeia produtiva. Enquanto a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou que 95,6% da área já estava colhida até 11 de setembro, a Agroconsult registrou que apenas 35% da pluma havia sido beneficiada até o dia 3 do mesmo mês.
Existem divergências nas projeções para o volume da safra nacional. A Agroconsult estimou 4,41 milhões de toneladas, a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) previu 4,18 milhões e a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) projetou 4,14 milhões de toneladas.
Especialistas em direito agronegócio alertam que a demora entre a colheita e a entrega do produto pode gerar conflitos contratuais. A falta de cláusulas sobre atrasos no beneficiamento dificulta a definição de responsabilidades por custos de armazenagem extra, variação de frete e sobre-estadia de contêineres.
O cenário ocorre enquanto o Brasil consolida a posição de maior exportador global da fibra. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o país atingiu o recorde de 3,37 milhões de toneladas exportadas, com alta de 19%, movimentando US$ 5,3 bilhões.
Para reduzir gargalos em portos como o de Santos, em São Paulo, o setor discute a ampliação de rotas alternativas, com foco no Porto de Salvador, na Bahia.
Para a safra 2026/27, a Conab prevê uma produção de 4,2 milhões de toneladas de pluma em uma área de 2,09 milhões de hectares. O volume reforça a importância de adequar as cláusulas contratuais para a próxima temporada.