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Consultor do TCE-MT é preso em Cuiabá por desviar R$ 32 milhões

Investigação da Polícia Federal aponta uso de empresa de cavalos de raça para lavar dinheiro público em Mato Grosso.

Por Redação VORA News
Consultor do TCE-MT é preso em Cuiabá por desviar R$ 32 milhões

A Polícia Federal prendeu preventivamente, em Cuiabá, o consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia. A ação, denominada Operação Tomada de Contas, também resultou na prisão do presidente da Corte, conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, e de outros quatro investigados por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Grhegory Maia é apontado como o maior beneficiário individual do esquema, tendo recebido R$ 32.310.120,43. Desse total, mais de R$ 31,6 milhões foram transferidos via 179 ordens bancárias distribuídas em 12 contas de nove instituições financeiras. O saldo bancário do consultor saltou de R$ 1,84 milhão em janeiro para R$ 7,61 milhões em outubro de 2025.

Para esconder a origem do dinheiro, o consultor criou a empresa Maia Reining Horses Ltda, focada na criação de cavalos de raça e comércio de sêmen e embriões. A Polícia Federal explica que esse mercado é utilizado por organizações criminosas por não possuir preços de referência pública, facilitando a conversão de verbas públicas em patrimônio difícil de rastrear. Maia também abriu a holding G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda.

O esquema no TCE-MT operava em duas frentes: a simulação de crises orçamentárias para pressionar fornecedores a devolverem parte de pagamentos ao grupo da Presidência e a prática de rachadinha com recursos dos duodécimos. Enquanto o Portal da Transparência registrou R$ 2,22 milhões para sete conselheiros, extratos bancários revelaram créditos de R$ 48,46 milhões.

A cúpula do órgão realizava saques massivos em espécie no posto do Sicoob dentro da sede do tribunal. O presidente Sérgio Ricardo efetuou 150 saques que somam R$ 15,64 milhões. A PF identificou R$ 75,85 milhões em movimentações suspeitas em 294 dias de 2025, levando a Justiça a determinar o sequestro de R$ 145 milhões em bens.

Durante as buscas, a Polícia Federal apreendeu dinheiro em espécie, notas de dólares e euros, relógios de luxo, vinhos e carros de alto padrão. Além das prisões, o STJ determinou a suspensão de funções e a proibição de acesso aos sistemas e dependências do tribunal para diversos servidores e gestores envolvidos.

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