Benefícios sociais não garantem votos para Lula em Mato Grosso
Dados de municípios com assentamentos e beneficiários de programas federais mostram força do bolsonarismo no estado.

A força eleitoral do bolsonarismo em Mato Grosso revela que a presença de beneficiários de programas sociais e da reforma agrária não resulta em apoio automático ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
Em Itanhangá, cidade criada a partir de um projeto de assentamento do Incra, Flávio Bolsonaro obteve 82,61% dos votos válidos no primeiro turno, com 3.373 votos. No mesmo município, Lula recebeu 15,14%, totalizando 618 votos, o que colocou a cidade entre as dez maiores votações proporcionais para o candidato do PL no Brasil.
A tendência também aparece na trajetória do deputado estadual Gilberto Cattani, do PL. Morador do Assentamento Pontal do Marape, em Nova Mutum, ele foi o terceiro candidato mais votado para a Assembleia Legislativa, com 69.672 votos.
Mato Grosso possui cerca de 215 mil famílias beneficiárias do Bolsa Família, somando 631 mil pessoas. Além disso, estima-se que 320 mil pessoas estejam vinculadas a projetos de reforma agrária do Incra e do Intermat.
Embora esses grupos sejam associados ao PT, os resultados indicam que o acesso a políticas públicas federais não define a preferência partidária. Fatores como religião, redes sociais, valores pessoais e lideranças locais podem influenciar a escolha do eleitor.
Enquanto a polarização política cresce, problemas estruturais de Mato Grosso recebem pouco espaço no debate. O estado enfrenta desafios em saneamento básico, segurança pública, infraestrutura de transportes e regularização fundiária.
Entre as demandas urgentes estão a manutenção da malha rodoviária federal, projetos como a Ferrogrão, o combate ao crime organizado na fronteira e a implantação de um hospital universitário federal em Rondonópolis.
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