Custo de frete impacta renda de produtores rurais em Mato Grosso
Odilio Balbinotti defende ampliação da malha ferroviária para reduzir gastos com escoamento da safra no estado.

O empresário Odilio Balbinotti Filho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso e suplente do senador José Medeiros, aponta que a falta de alternativas ao transporte rodoviário é um dos principais gargalos do agronegócio. Para ele, o custo do frete consome grande parte da renda dos produtores rurais em MT.
Como exemplo, Balbinotti cita o transporte de soja de Sorriso ao Porto de Santos, onde o valor chega a R$ 30 por saca. O empresário estima que a utilização de ferrovias competitivas poderia reduzir esse custo em R$ 10 por saca, gerando uma economia total de aproximadamente R$ 8,5 bilhões para os produtores, dependendo de rotas e volumes.
Entre as soluções em andamento está a expansão da Ferronorte, que deve passar por Cuiabá e pelo médio-norte. Outra alternativa citada é a Ferrogrão, projeto de 933 quilômetros para ligar Sinop ao Porto de Miritituba, no Pará, visando o acesso aos portos do Arco Norte.
Balbinotti criticou a demora na implantação da Ferrogrão, mencionando que o projeto ficou parado por cinco anos devido a uma ação no Supremo Tribunal Federal. Em março de 2021, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a eficácia da lei do projeto após questionamento do PSOL sobre limites do Parque Nacional do Jamanxim.
Embora o plenário do STF tenha declarado a legislação constitucional em maio de 2026, as obras da Ferrogrão ainda dependem de etapas administrativas, ambientais e regulatórias. A Agência Nacional de Transportes Terrestres trabalha atualmente na atualização dos estudos técnicos para a concessão.
Além da infraestrutura, o coordenador defende a simplificação do licenciamento de grandes obras, alegando que o atual volume de exigências atrapalha o desenvolvimento do país. Balbinotti pretende discutir a redução de prazos e regras junto ao senador José Medeiros.
O debate ocorre enquanto o agronegócio movimentou R$ 3,20 trilhões em 2025, representando 25,13% do PIB brasileiro. No entanto, dados do Cepea/Esalq-USP e da CNA indicam que o setor teve retração de 2,01% no primeiro trimestre de 2026.