TJMT promove palestra sobre diagnóstico tardio de neurodivergências em Cuiabá
Evento discutiu os impactos do reconhecimento tardio de condições como TEA e TDAH na saúde mental e nos relacionamentos.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso realizou em Cuiabá, MT, uma capacitação focada no diagnóstico de neurodivergências na vida adulta. O evento, organizado pela Comissão de Acessibilidade e Inclusão do TJMT, reuniu especialistas, profissionais de instituições públicas e familiares para debater a acessibilidade e o atendimento a pessoas com deficiência.
A psicóloga Luciana Edeliz Égea Rodrigues explicou que condições como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem não ser reconhecidas por anos. Segundo a especialista, indivíduos com essas características são frequentemente vistos como desatentos ou difíceis, e a tentativa de esconder tais dificuldades para se adequar socialmente pode causar depressão, ansiedade e problemas de sono.
Durante a apresentação, a psicóloga destacou o subdiagnóstico em mulheres, que tendem a imitar comportamentos alheios para ocultar dificuldades sensoriais ou sociais. Ela também alertou que jovens podem apresentar crises emocionais em casa, mesmo parecendo lidar bem com a escola, devido ao esgotamento causado pelas cobranças de autonomia e interação social.
Para ilustrar a importância da investigação clínica, foram apresentados casos de um jovem com TDAH que utilizava substâncias para lidar com a sobrecarga e de um homem de 56 anos com depressão e dificuldades sociais. Luciana ressaltou que a avaliação deve ser feita por profissionais de áreas como psiquiatria, neurologia e neuropsicologia, alertando que informações de redes sociais não substituem a análise técnica.
A discussão abordou ainda os conflitos em relações familiares e profissionais causados pela dificuldade de compreensão de regras sociais não verbalizadas. A psicóloga defendeu que a adaptação não deve ser responsabilidade apenas da pessoa neurodivergente, mas que parceiros e colegas também devem aprender a se comunicar de forma clara.
A especialista afirmou que o diagnóstico tardio funciona como uma ferramenta de libertação, permitindo a substituição da culpa pela autocompaixão. O suporte pode envolver terapia ocupacional, fonoaudiologia e ajustes de rotina, visando um atendimento baseado em empatia e conhecimento técnico nas áreas de Justiça, educação e saúde.
A iniciativa fez parte da segunda edição do TJMT Inclusivo, coordenada pela desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho. O projeto, que conta com parcerias da Prefeitura de Cuiabá, Assembleia Legislativa e escolas do Judiciário, já passou por cidades como Sorriso, Lucas do Rio Verde, Tangará da Serra, Cáceres, Rondonópolis e Sinop.
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