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Eurico Gaspar Dutra: o cuiabano que presidiu o Brasil após Vargas

Nascido em Cuiabá, o militar comandou o país entre 1946 e 1951 com foco no anticomunismo e alinhamento aos EUA.

Por Redação VORA News
Eurico Gaspar Dutra: o cuiabano que presidiu o Brasil após Vargas

Nascido em Cuiabá, Mato Grosso, em 1883, Eurico Gaspar Dutra foi o primeiro cidadão da capital mato-grossense a ocupar a Presidência da República. Militar de carreira e ex-ministro da Guerra, Dutra venceu a eleição de 1945 e assumiu o cargo em janeiro de 1946, após participar da deposição de Getúlio Vargas.

A relação entre Dutra e Vargas foi marcada por oscilações. Embora tenha ajudado a instalar o Estado Novo em 1937, o cuiabano integrou o movimento que derrubou Vargas em 1945. Curiosamente, o próprio Vargas recomendou que seus seguidores votassem em Dutra na eleição presidencial, mas, ao governar, Dutra afastou-se politicamente do ex-presidente para se aproximar da União Democrática Nacional (UDN).

O governo de Dutra foi definido por um forte anticomunismo, influenciado por sua formação militar e pela Guerra Fria. Em 1947, o governo apoiou o cancelamento do registro do Partido Comunista Brasileiro e o Congresso cassou mandatos de parlamentares comunistas. O período também registrou a intervenção em cerca de 400 sindicatos e o rompimento de relações diplomáticas com a União Soviética.

Na política externa, o presidente promoveu um estreitamento com os Estados Unidos. Em 1949, Dutra tornou-se o primeiro presidente brasileiro em exercício a realizar visita oficial aos EUA, encontrando-se com Harry Truman. Apesar da repercussão, a viagem teve caráter protocolar e não atingiu os resultados econômicos esperados, especialmente em questões de petróleo.

No âmbito interno, Dutra proibiu os jogos de azar em abril de 1946, fechando cassinos em todo o país sob justificativas morais e religiosas. A medida afetou aproximadamente 55 mil trabalhadores. O professor Alfredo da Mota Menezes destaca que, apesar das repressões, Dutra atuou como um homem pacificador ao reduzir tensões entre grupos políticos após o Estado Novo.

O legado de infraestrutura do mandato inclui a inauguração da Rodovia Presidente Dutra, ligando Rio de Janeiro e São Paulo, em 1951. Dutra também implementou o Plano SALTE, voltado para saúde, alimentação, transporte e energia, embora a execução tenha ficado abaixo do esperado. O governo ainda acompanhou a construção do estádio para a Copa do Mundo de 1950, inaugurado em junho daquele ano.

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