Agropecuária de Mato Grosso enfrenta desafios financeiros e logísticos
Setor busca superar endividamento, barreiras ambientais europeias e dependência de fertilizantes importados para manter competitividade.

A agropecuária, principal motor econômico de Mato Grosso, precisa superar obstáculos para manter o crescimento nos mercados interno e externo. O economista Vivaldo Lopes aponta que o setor enfrenta um endividamento excepcional, causado por riscos climáticos, alta nos preços de insumos e maior rigor dos bancos na concessão de crédito, o que reduziu as margens de lucro.
Para reverter esse cenário, a solução passa pela redução e alongamento de dívidas, além de taxas de juros menores e equilíbrio na oferta de crédito via financiamento privado e Plano Safra. No comércio internacional, o estado enfrenta a concorrência dos Estados Unidos, as restrições da União Europeia e a estratégia da China de reduzir a dependência de importações de alimentos.
A rastreabilidade dos produtos tornou-se essencial, especialmente para o mercado europeu. A partir de janeiro de 2027, a Lei Antidesmatamento da União Europeia exigirá a comprovação de que carnes, óleos vegetais, soja, milho, café, cacau, borracha e madeira não venham de áreas desmatadas após 2021. Para a carne bovina, há ainda a exigência de fim do uso de antimicrobianos nos rebanhos.
A dependência de fertilizantes importados é outra barreira que expõe o produtor de Mato Grosso a oscilações de preços e conflitos geopolíticos. O economista defende a criação de um plano nacional para elevar a produção doméstica de insumos nitrogenados e fosfatados, reduzindo a vulnerabilidade externa do setor.
Na logística, embora existam melhorias nas rodovias, a infraestrutura de transporte e armazenagem ainda é insuficiente. O avanço da malha ferroviária ocorre com capital privado nos trechos entre Rondonópolis, Primavera do Leste, Cuiabá e Lucas do Rio Verde, além da ferrovia FICO, que ligará Goiás a Água Boa, em MT, com 383 quilômetros.
A industrialização local, exemplificada pelas plantas de etanol de milho e biodiesel, é vista como caminho para agregar valor às commodities, gerar empregos qualificados e aumentar a rentabilidade. A superação desses desafios depende de planejamento e ações integradas entre investidores, iniciativa privada e governos estadual e federal.
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