Gisela Simona assume vice-governadoria em Mato Grosso após 20 anos
Vice-governadora eleita destaca retorno feminino ao Palácio Paiaguás, mas alerta para a baixa representatividade racial e de gênero no estado.

A eleição de Gisela Simona, do União Brasil, como vice-governadora de Mato Grosso, na chapa de Otaviano Pivetta, encerra um período de duas décadas sem mulheres no cargo. Ela será a segunda mulher a ocupar a função no estado, sucedendo Iraci França. Para Gisela, o retorno ao Palácio Paiaguás é uma missão e uma responsabilidade na defesa da participação feminina na política.
Apesar da conquista, a vice-governadora eleita apontou a baixa representatividade feminina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. A partir de 2027, apenas Samantha e Alessandra Ferreira ocuparão cadeiras, o que representa 8,3% dos 24 deputados estaduais. Já na Câmara dos Deputados, a representação do estado terá 37,5% de mulheres, com a eleição de Coronel Fernanda, Professora Rosa Neide e Virginia Mendes.
Gisela também manifestou preocupação com a representatividade racial nos cargos eletivos de Mato Grosso. Ela afirmou que, entre os 36 eleitos para governador, vice-governador, senador e deputados, foi a única pessoa a se declarar preta. A vice-governadora ressaltou que o dado é alarmante, considerando que mais de 50% da população do estado é formada por pessoas negras e pardas.
No âmbito nacional, a próxima legislatura da Câmara dos Deputados contará com 109 parlamentares mulheres, totalizando 21,2% das 513 cadeiras. No Senado, a previsão é de 18 senadoras entre os 81 integrantes da Casa em 2027, somando as eleitas com as que mantêm o mandato.
A vice-governadora defende a criação de uma reserva obrigatória de cadeiras para mulheres no Legislativo brasileiro. Gisela argumenta que a regra atual, que exige entre 30% e 70% de candidaturas de cada sexo, não garante a conquista efetiva de vagas, sendo necessário ampliar o financiamento e o apoio partidário.
Gisela Simona assumirá o cargo ao lado de Otaviano Pivetta, reeleito no primeiro turno, a partir de 2027. Ela reforça que a eleição de mulheres para cargos de destaque não deve ocultar a desigualdade que ainda persiste nas instituições políticas de Mato Grosso.
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