Denúncias de xenofobia e perseguição política mobilizam órgãos em Mato Grosso
Relatos de ameaças a migrantes e boicotes a trabalhadores surgiram após a eleição presidencial em cidades como Sinop, Colíder e Lucas do Rio Verde.

Após o segundo turno das eleições presidenciais, surgiram denúncias de xenofobia, ameaças de demissão e propostas de boicote a comerciantes e trabalhadores em Mato Grosso. As manifestações, que circularam em redes sociais e grupos de mensagens, atingiram pessoas associadas ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
Em Sinop, uma empresária publicou vídeo com declarações contra maranhenses e nordestinos que votaram em Lula, sugerindo que retornassem às suas cidades de origem. A deputada estadual Eliane Xunakalo afirmou que a xenofobia é crime, mas não houve confirmação de medidas judiciais contra a mulher.
No município de Colíder, o prefeito Rodrigo Benassi publicou imagem sugerindo a separação do Nordeste do Brasil e abriu enquete sobre o tema. O gestor relacionou a postagem ao resultado eleitoral da região e disse que a intenção era discutir autonomia regional, pacto federativo e distribuição de recursos.
Em Lucas do Rio Verde, mensagens sugeriam a demissão de servidores públicos, a exclusão de profissionais ligados ao PT do mercado de trabalho e o boicote a estabelecimentos de esquerda. Houve ainda propostas para impedir a entrada de ônibus com passageiros nordestinos que vinham trabalhar na região.
O Centro de Tradição Nordestina acionou o Ministério Público Federal, o Ministério Público de Mato Grosso, a Polícia Civil e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A entidade solicitou a apuração de ameaças, mensagens discriminatórias e a possível divulgação de dados pessoais.
Os deputados estaduais Lúdio Cabral e Valdir Barranco disponibilizaram canais para a coleta de provas e auxílio jurídico às vítimas. O governador Otaviano Pivetta condenou a violência no período eleitoral e defendeu que as instituições responsabilizem os autores de crimes.
Enquanto lideranças políticas cobravam providências contra as agressões, o vereador de Cuiabá Rafael Ranalli defendeu que empresários tenham a liberdade de demitir funcionários por divergências políticas.
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