Exportações de milho em Mato Grosso caem 32% em setembro
Maior oferta de grãos nos Estados Unidos e na Argentina reduziu a competitividade do produto mato-grossense.

Mato Grosso registrou o embarque de 2,85 milhões de toneladas de milho em setembro de 2026. O volume representa uma redução de 32,07% em relação ao mesmo mês de 2025 e fica 19,01% abaixo da média dos últimos cinco anos, conforme dados do Imea.
No período acumulado entre julho e setembro, as exportações somaram 7,61 milhões de toneladas, queda de 21,44% comparada à temporada anterior. O recuo foi sentido nos principais destinos: o Egito importou 1,97 milhão de toneladas, o Irã 739 mil e a Espanha 710 mil.
O analista de milho do Imea, Gabriel Brandão, explica que o cenário é resultado do aumento da oferta internacional. Nos Estados Unidos, estoques elevados pressionam as cotações, enquanto a Argentina teve safra recorde e menor retenção de grãos, intensificando a disputa pelos mercados compradores.
O estado possui uma janela para acelerar os embarques até janeiro de 2027, antes que a logística de exportação seja disputada pela soja em fevereiro. Se o ritmo atual persistir, Mato Grosso poderá exportar cerca de 21 milhões de toneladas até janeiro.
Para atingir a projeção de 24,10 milhões de toneladas na temporada, seriam necessários 3 milhões de toneladas entre fevereiro e junho de 2027, volume superior à média histórica de 2 milhões para esse período. O Imea alerta que a manutenção do ritmo atual aumenta o risco de a temporada fechar abaixo da meta.
A permanência de volumes maiores de milho no estado pode elevar os estoques finais e pressionar a estrutura de armazenagem. Segundo Gabriel Brandão, a maior concorrência externa tem limitado a competitividade do cereal mato-grossense e influenciado a formação de preços para o produtor.