Quatro novas espécies de cogumelos são descobertas no norte de Mato Grosso
Fungos do gênero Hygrocybe foram identificados nas Reservas Particulares do Patrimônio Natural Cristalino, em Alta Floresta e Novo Mundo.

Um estudo publicado em 2026 na revista Phytotaxa descreveu quatro novas espécies de cogumelos do gênero Hygrocybe. Os fungos foram coletados em trilhas de floresta de terra firme nas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) Cristalino, localizadas nos municípios de Alta Floresta e Novo Mundo, no norte de Mato Grosso.
A pesquisa foi liderada por Juli Simon Cardoso, vinculada ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O trabalho teve início a partir de registros fotográficos feitos pela parataxonomista alemã Susanne Sourell, que visitava a região anualmente e compartilhava imagens em um grupo de Facebook.
Para a confirmação das espécies, os pesquisadores utilizaram a descrição morfológica, com medições de estruturas microscópicas, e a análise de DNA. De acordo com Juli Simon, a comparação genética é indispensável hoje para a publicação de novas espécies de fungos.
As espécies identificadas incluem a Hygrocybe cristalinoensis, de cor verde e borda branca, e a Hygrocybe viridilacerata, também verde, com o chapéu que se rasga ao amadurecer. Foram catalogadas ainda a Hygrocybe pegleri, com pé longo e escamas amarronzadas, e a Hygrocybe vinaceosquamulosa, com chapéu em tons de arroxeado a rosado.
Duas das espécies são endêmicas, ocorrendo apenas nos locais onde foram encontradas. Juli Simon destaca que a região é prioritária para a conservação na Amazônia meridional, pois os fungos decompõem matéria orgânica, retêm carbono no solo e auxiliam plantas na absorção de nutrientes.
O estudo integra o Projeto Fungos do Cristalino, realizado por parceria entre a Fundação Ecológica Cristalino (FEC), o Laboratório de Micologia da UFSC e Susanne Sourell. A iniciativa contou com bolsas do CNPq e da CAPES, além de parceiros no Canadá e Estados Unidos.
Mayara Gomes Correa, consultora de pesquisa das Reservas Cristalino, afirma que o apoio da FEC visa ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica. Juli Simon ressalta que a fundação foi decisiva ao oferecer hospedagem, alimentação e guias locais para a execução da ciência no Brasil.
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