Fazendas e obras em Cuiabá e interior de MT entram na lista do trabalho escravo
Ministério do Trabalho e Emprego registrou 12 empregadores em Mato Grosso com violações graves à legislação trabalhista.

O Ministério do Trabalho e Emprego incluiu 12 empregadores de Mato Grosso na atualização do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. O grupo é composto por sete pessoas jurídicas e cinco pessoas físicas, com ocorrências registradas em fazendas no interior e em obras na capital, Cuiabá.
As fiscalizações da Auditoria-Fiscal do Trabalho resultaram no resgate de 60 trabalhadores no estado. Foram identificadas irregularidades como a ausência de água potável, falta de equipamentos de proteção individual, alojamentos degradantes, descumprimento de normas de saúde e segurança, além de falhas na contratação.
Em Nova Maringá, 19 pessoas foram resgatadas em uma atividade de extração e transporte de madeira. Os trabalhadores viviam em barracos de lona e contêineres, utilizando água de um córrego para beber, cozinhar e realizar a higiene pessoal, sem acesso a instalações sanitárias adequadas.
Outras situações graves ocorreram em Alto Taquari, com 12 resgates em uma fazenda de corte de madeira e produção de carvão, e em Sorriso, onde 10 trabalhadores de uma empresa de pisos e construções eram alojados em um ônibus adaptado com infestação de baratas e esgoto despejado na via pública.
Na capital, Cuiabá, foram registrados dois casos: um em uma residência e outro na Avenida Carmindo de Campos, no bairro Dom Aquino. Em Chapada dos Guimarães, seis trabalhadores foram resgatados em obras de um condomínio fechado.
A inclusão no cadastro, que existe desde 2003, acontece após processo administrativo com direito a ampla defesa e decisão irrecorrível. O Ministério do Trabalho e Emprego realiza a atualização da lista a cada seis meses.
Somente em 2026, as ações de fiscalização em Mato Grosso já resgataram 92 pessoas, incluindo dois menores de idade e cinco mulheres. Denúncias podem ser feitas de forma sigilosa pelo Sistema Ipê, da Secretaria de Inspeção do Trabalho.
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