Agroindustrialização amplia renda e empregos em Mato Grosso do Sul
Beneficiamento local de produtos agropecuários elevou o orçamento estadual e diversificou a pauta de exportações.

O agronegócio em Mato Grosso do Sul apresentou evolução significativa nos últimos 12 anos, focando na agroindustrialização para agregar valor aos produtos. O ex-secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, aponta que essa estratégia resultou no aumento do orçamento do estado, que saltou de R$ 12 bilhões em 2014 para R$ 25 bilhões atualmente.
Dados do Projeto SIGA, do Governo de MS, indicam que a área plantada de soja cresceu 71,1% entre as safras 2017/18 e 2025/26, passando de 2,70 milhões para 4,62 milhões de hectares. No mesmo período, a produção total da cultura subiu 74,7%, atingindo 16,74 milhões de toneladas, com a produtividade alcançando 60,4 sacas por hectare.
A celulose consolidou-se como o principal produto exportado do estado, seguida pela soja e pela carne bovina. Verruck destaca que a industrialização do eucalipto para a produção de celulose gerou 8 mil empregos e impactou o comércio local, exemplificando o efeito multiplicador da agroindústria na geração de tributos e massa salarial.
O consultor Aldo Barrigose ressalta a importância do Vale da Celulose, que tornou cidades como Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo referências nacionais. Ele observa que a tecnologia permitiu a colheita do eucalipto em cinco a sete anos, tempo inferior ao de países europeus, onde o ciclo pode levar de 20 a 30 anos.
Na pecuária de corte, Barrigose informa que, apesar da redução do rebanho e da área ocupada, houve crescimento na produção de proteína nos últimos dez anos devido à tecnificação. O setor também se beneficia de subprodutos como o DDG, oriundo do processamento de milho para etanol, utilizado na alimentação de aves, suínos e bovinos.
Para atrair investidores, o estado utiliza a renúncia fiscal, além de oferecer segurança jurídica, política e institucional. As expectativas agora se voltam para a citricultura, com áreas já em plantio e a possibilidade de processamento das frutas em solo sul-mato-grossense.
Mais notícias de Mato Grosso
- Chuvas melhoram condições para plantio da soja, mas déficit hídrico persiste em Mato Grosso e no Matopiba
- Sefaz vê risco de folha “comprometer orçamento” e prega controle
- Estado cobra R$ 637 mil de produtor de Sinop por venda irregular de soja
- Vendas de milho e algodão avançam em MT, mas preços recuam em setembro
- Campo Novo do Parecis, quarto maior município agrícola do Brasil, recebe simpósio de fisiologia da Sumitomo Chemical
- Soja e algodão aceleram vendas da safra 26/27 em MT, enquanto milho segue mais cauteloso