Gaeco investiga suposta compra de votos em Várzea Grande, MT
Apuração envolve uso de ônibus de concessionária em projeto social ligado ao presidente da Câmara Municipal.

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) incluiu em suas investigações a denúncia sobre a utilização de um ônibus da União Transportes em um projeto social vinculado ao presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), em Mato Grosso.
Relatórios da Operação Cathedra Venalis indicam que o veículo, identificado como Bazar Itinerante, circulava adesivado em Várzea Grande no dia 16 de julho. Os investigadores registraram a presença do ônibus dez vezes em um intervalo de duas horas, constatando a ausência de registros do projeto no Portal da Transparência da Câmara ou no Diário Oficial do município.
Houve divergência nas declarações da União Transportes. Em maio, a concessionária confirmou a disponibilização de ônibus para ações comunitárias, afirmando que o veículo não fazia parte da frota operacional do contrato. No entanto, em resposta ao Gaeco, a empresa declarou não ter conhecimento de cessão de veículos para finalidades distintas das habituais.
O caso ocorreu após a identificação de que o ônibus, modelo Volks/Comil Svelto, foi usado em 21 de março no bairro Jardim Primavera. A assessoria de Wanderley negou irregularidades, alegando que a relação com a empresa era apenas institucional, sem uso de estrutura administrativa da Câmara ou verbas públicas.
A investigação faz parte da Operação Cathedra Venalis, iniciada em 20 de outubro para apurar suspeitas de corrupção e negociação de apoio político no Legislativo de Várzea Grande. A operação mirou 13 vereadores da cidade e dois de Cuiabá, com a execução de 30 mandados de busca e apreensão em Várzea Grande, Cuiabá e Chapada dos Guimarães.
Wanderley Cerqueira está entre os investigados pelo Gaeco. A apuração busca verificar se houve pagamento de vantagens indevidas a parlamentares para assegurar apoio político na disputa pela presidência da Câmara, embora as suspeitas ainda não representem comprovação de crime.
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