Exportações de milho recuam 28,9% e desafiam safra em Mato Grosso
Queda nos embarques ocorre em meio ao aumento da oferta de EUA, Argentina e Ucrânia no mercado global.

Entre os meses de julho e agosto, as exportações brasileiras de milho registraram uma queda de 28,9%, totalizando 6,59 milhões de toneladas. O cenário impacta a produção em Mato Grosso e no restante do país, refletindo uma maior disputa pelo cereal tanto no mercado externo quanto no consumo interno.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que a maior demanda doméstica elevou a concorrência pelo grão disponível. No porto de Santos, o prêmio médio do milho teve recuo de 9,66%, o que indica uma menor sustentação da demanda internacional pelo produto brasileiro.
No cenário global, concorrentes diretos ampliaram a oferta. Os Estados Unidos projetam exportar 87 milhões de toneladas, alta de 21,03%, com vendas fortes para a Ásia e Américas. A Argentina prevê um crescimento de 30,43%, com projeção de 45 milhões de toneladas destinadas a mercados da Ásia e África.
A Ucrânia também apresenta alta de 9,27% em suas exportações, com previsão de 22,40 milhões de toneladas, focando nos destinos do Mediterrâneo e Europa, mesmo enfrentando limitações logísticas.
Apesar da desaceleração até agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que as exportações do Brasil cheguem a 43,91 milhões de toneladas na safra 2025/26, o que representa um aumento de 5,49% comparado ao ciclo anterior.
Para o Imea, a competitividade dos portos, o câmbio e os preços serão fatores decisivos para o escoamento da produção brasileira diante da maior oferta dos países concorrentes.