Imigração japonesa moldou a agricultura em Dourados, no antigo Mato Grosso
Descendentes de famílias que chegaram em 1953 mantêm escola de língua e variante linguística própria na região.

A cidade de Dourados, localizada no Mato Grosso do Sul e parte do antigo Mato Grosso, foi impactada pela chegada de 22 famílias japonesas em julho de 1953. O grupo, composto por 112 pessoas, desembarcou em Santos após autorização do presidente Getúlio Vargas ao empresário Yasutarō Matsubara para colonizar o Centro-Oeste.
Os imigrantes estabeleceram-se em terras de cerrado e mata na Colônia Dourados, utilizando empréstimos do governo japonês para custear a viagem. Com o trabalho familiar, abriram as primeiras lavouras e implementaram técnicas de cultivo, escolas de língua e festas comunitárias que influenciaram o desenvolvimento local.
A herança cultural permanece presente através de uma associação nipo-brasileira e de uma escola de língua japonesa. Pesquisadores da Universidade Estadual de Goiás identificaram que a comunidade desenvolveu uma variante linguística própria, que mistura o japonês com expressões do português.
O crescimento urbano foi expressivo, com a população saltando de 196 mil habitantes em 2010 para 243.367 no Censo 2022, segundo o IBGE. Esse avanço incluiu a criação da Universidade Federal da Grande Dourados em 2005, consolidando a cidade como polo de serviços e educação.
No setor produtivo, a instalação da Embrapa Agropecuária Oeste em 1975 impulsionou a fronteira agrícola. A unidade desenvolveu variedades de trigo e soja adaptadas ao clima regional e difundiu a técnica de plantio direto, que preserva o solo com a palha da safra anterior.
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