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Autores de feminicídios em Mato Grosso tinham antecedentes policiais

Dados do Observatório Caliandra indicam que 48% dos responsáveis pelos crimes já possuíam registros anteriores.

Por Redação VORA News
Autores de feminicídios em Mato Grosso tinham antecedentes policiais

Um novo painel do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, revelou que 48% dos autores e coautores de feminicídios em Mato Grosso possuíam antecedentes policiais. Entre 2019 e 2026, foram identificadas 382 pessoas envolvidas nos crimes, sendo que 143 delas tinham de um a três registros anteriores.

Nos casos de autores com antecedentes, 67% das ocorrências estavam ligadas à violência doméstica e familiar. O levantamento abrange registros de perseguição, ameaça, injúria, lesão corporal, violência psicológica, descumprimento de medidas protetivas, além de homicídios e crimes sexuais ou patrimoniais.

O perfil dos agressores mostra que a faixa etária predominante é a de 30 a 34 anos, com 57 registros, o que representa 14,69% do total. Quanto ao vínculo com as vítimas, 289 eram namorados, companheiros ou ex-parceiros, enquanto 16 tinham relações sexuais casuais ou informais.

A série histórica do Observatório Caliandra, que contabiliza 377 vítimas no período, apresenta um índice de elucidação de 98%. Dos casos registrados, a autoria permanece desconhecida em apenas sete situações, e as demais foram encaminhadas para ação penal.

No total de 382 envolvidos, foram contabilizados 364 autores diretos e 18 coautores. Durante os processos judiciais, dez casos foram reclassificados de feminicídio para outros crimes, como lesão corporal seguida de morte ou homicídio.

A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra afirma que a violência anterior contra mulheres é recorrente na trajetória de parte dos autores. Para ela, os registros policiais ajudam a compreender comportamentos controladores e agressivos, mesmo quando não envolvem a vítima final.

A promotora ressalta que esses dados devem qualificar as políticas públicas e fortalecer a rede de proteção. Segundo Claire, o histórico de ocorrências é fundamental para identificar riscos e intervir antes que a violência evolua para casos mais graves.

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