Consultor do TCE em Cuiabá recebeu R$ 32,3 milhões, aponta PF
Grhegory Paiva Pires Moreira Maia está preso por ordem do STJ após investigação sobre pagamentos do Tribunal de Contas de Mato Grosso.

O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, foi preso por determinação do ministro Og Fernandes, do STJ. De acordo com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, o procurador da Assembleia Legislativa, cedido ao TCE desde 2020, tornou-se o maior credor da instituição em 2025, superando empresas contratadas.
Entre 1º de janeiro e 22 de outubro, foram registrados 217 lançamentos que somam R$ 32.310.120,43. A PF detalhou que apenas R$ 577,2 mil foram pagos em datas de folha, enquanto R$ 31,7 milhões ocorreram via 179 ordens bancárias avulsas. Os valores mensais cresceram progressivamente, saindo de R$ 1,89 milhão em janeiro para R$ 7,61 milhões em outubro.
Os recursos foram distribuídos em 12 contas de nove instituições financeiras diferentes. A PF afirma que a estratégia visava segmentar os dados para evitar que os bancos tivessem a visão total da movimentação. Em um único dia, 22 de setembro de 2025, foram realizadas sete ordens que totalizaram R$ 2 milhões.
Grhegory atuou como representante do TCE, na condição de amicus curiae, em ações no STF que discutiam verbas indenizatórias para conselheiros. O ministro Og Fernandes destacou que, apesar da função, ele era o principal destinatário dos pagamentos investigados e atuou como articulador jurídico e financeiro.
A investigação aponta a abertura da empresa Maia Reining Horses, de criação de cavalos, em julho de 2025, o que a PF associa a riscos de lavagem de dinheiro. O patrimônio do consultor inclui seis veículos que somam R$ 1,39 milhão, incluindo uma Land Rover Defender de R$ 735.277, e um imóvel de R$ 305,5 mil em Campo Grande, MS.
A PF também registrou imagens de Grhegory e do assistente jurídico Gustavo Fernandes da Silva, também preso, manipulando maços de dinheiro em um posto do Sicoob dentro do tribunal. A PGR havia sugerido fiança de R$ 3,38 milhões e suspensão de cargos, mas a medida foi considerada insuficiente pelo ministro do STJ.
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