PF identifica compra de carros de luxo por conselheiro do TCE-MT em Cuiabá
Veículos avaliados em R$ 1,27 milhão foram adquiridos por Alisson Carvalho de Alencar, alvo da Operação Tomada de Contas.

A Polícia Federal constatou que Alisson Carvalho de Alencar, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) em Cuiabá, Mato Grosso, adquiriu dois veículos de luxo entre 2025 e 2026. As compras somam R$ 1,27 milhão e incluem um Porsche Cayenne, avaliado em R$ 822,6 mil, e uma BMW X2, estimada em R$ 454,9 mil.
O conselheiro foi alvo de busca e apreensão na Operação Tomada de Contas e teve o afastamento do cargo determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A PF investiga possíveis irregularidades em contratos e pagamentos milionários destinados a membros da Corte de Contas.
Levantamentos da PF revelam que Alisson recebeu R$ 8,18 milhões do TCE-MT entre janeiro e 22 de outubro de 2025, época em que era procurador-geral do Ministério Público de Contas. O valor, transferido em 113 operações, representa 71,72% do total pago aos quatro procuradores analisados no período, enquanto os outros três receberam R$ 3,22 milhões.
Os investigadores notaram que os repasses cresceram a partir de março de 2025, com depósitos mensais acima de R$ 600 mil. Em maio, o valor chegou a R$ 1,14 milhão, seguido por R$ 1 milhão em junho e R$ 980,3 mil até o dia 22 de outubro.
A Polícia Federal considera a movimentação financeira atípica e apura a legalidade dos pagamentos, embora a investigação não afirme que os carros foram comprados com dinheiro ilícito. Também foi identificado que o conselheiro é sócio da empresa ACA Holding Patrimonial Ltda. junto a familiares.
Além de Alisson, a operação resultou na prisão do presidente da Corte, Sérgio Ricardo, do consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, do servidor Adriangelo Barros Antunes, da secretária-executiva Roseli Loss e dos advogados Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes da Silva.
Também foram afastados de suas funções por decisão judicial os conselheiros Guilherme Maluf e José Carlos Novelli, além do conselheiro aposentado Valter Albano, que atuava na comissão de fiscalização do órgão.
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