Endividamento no agronegócio de Mato Grosso atinge R$ 21,79 bilhões
Aumento de custos, queda nos preços de commodities e falta de seguros elevam a inadimplência no estado.

Apesar do crescimento da área de soja para 13,05 milhões de hectares e do avanço na produção de milho em Mato Grosso, o setor enfrenta uma crise financeira. O crédito rural problemático, que inclui operações vencidas e renegociações, saltou de R$ 1,61 bilhão em 2022 para R$ 21,79 bilhões em abril de 2026, representando 18,22% de todo o crédito concedido no estado.
Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), explica que a instabilidade climática no Centro-Oeste é imprevisível. Na safra 2023/24, um veranico concentrado prejudicou a produtividade da soja, mas a queda na oferta local não resultou na alta de preços esperada pelos produtores, gerando riscos de mercado.
O cenário foi agravado pela queda nas cotações e a explosão dos custos operacionais. A saca da soja, que chegou a R$ 147,47 na safra 2021/22, caiu para a faixa entre R$ 107 e R$ 114 nos anos seguintes. Simultaneamente, o custo médio total por hectare subiu 86,71% na soja e 100,86% no milho em comparação ao período entre 2016/17 e 2020/21.
Houve também uma redução drástica na contratação de seguros agrícolas em Mato Grosso. O valor garantido por apólices para soja e milho, que era de R$ 3,90 bilhões em 2021 com 3.195 apólices, caiu para R$ 290 milhões em 2025, com apenas 331 apólices ativas, deixando as lavouras desprotegidas contra quebras.
A dificuldade em quitar compromissos levou o estado a liderar os pedidos de Recuperação Judicial no agronegócio brasileiro desde 2023, com 332 solicitações registradas apenas em 2025. A situação é pressionada por juros reais elevados, que dificultam a rolagem de dívidas contraídas em períodos de taxas menores.
Projeções do CPA-MT indicam que os ciclos atuais operam no vermelho. Para a safra 2026/27, estima-se um prejuízo operacional de R$ 1.419,96 por hectare na soja e de R$ 2.055,17 no milho. Segundo Gauer, a recuperação depende dos preços das commodities, mas a expectativa é que 2027 ainda seja um ano ruim.
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