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Desembargadora deixa recursos do Grupo Safras em Sinop, MT

Magistrada declarou-se suspeita para julgar processos de recuperação judicial de R$ 1,78 bilhão.

Por Redação VORA News
Desembargadora deixa recursos do Grupo Safras em Sinop, MT

A desembargadora Marilsen Andrade Addario, da Segunda Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, declarou-se suspeita para julgar os recursos da recuperação judicial do Grupo Safras. O conglomerado do agronegócio, fundado por Pedro de Moraes Filho e Dilceu Rossato, ex-prefeito de Sorriso, tem processos que tramitam na 4ª Vara Cível de Sinop, em MT.

Na decisão assinada em 18 de setembro, a magistrada afirmou que fatores externos comprometeram sua isenção de ânimo para relatar ou participar de julgamentos envolvendo as pessoas físicas e jurídicas do grupo. Ela ressaltou que atuou com imparcialidade até a data da decisão e solicitou a redistribuição dos processos, baseando-se no Código de Processo Civil sobre motivo de foro íntimo.

O afastamento abrange todos os recursos contra decisões da recuperação judicial e qualquer outro processo em que os empresários rurais ou as empresas do grupo sejam parte. A medida foi repetida no agravo de Celso Izidoro Vigolo, credor que obteve liminar da desembargadora em maio de 2025 para suspender a recuperação judicial devido a irregularidades financeiras e falta de transparência.

Anteriormente, em setembro de 2025, a desembargadora determinou a intervenção judicial nas empresas, bloqueou bens do conglomerado e afastou administradores e sócios por indícios de confusão patrimonial. Essas ações foram questionadas no Conselho Nacional de Justiça por meio de uma reclamação disciplinar de uma empresa, que alega invasão de atribuições do juízo de primeiro grau.

A Corregedoria Nacional de Justiça notificou a magistrada em julho deste ano para prestar esclarecimentos sobre a nomeação de interventor e a retenção de recursos internos. O despacho de suspeição da desembargadora não mencionou esse procedimento administrativo.

A recuperação judicial do Grupo Safras possui valor de causa de R$ 1,78 bilhão. Em agosto, a juíza de Sinop confirmou Emmanoel Alexandre de Oliveira como interventor provisório e manteve o afastamento dos gestores, enquanto credores foram convocados para assembleias em setembro.

Com a saída de Marilsen Andrade Addario, o agravo de Celso Izidoro Vigolo e os demais recursos relacionados ao caso serão encaminhados ao substituto legal, conforme as normas do regimento interno do TJMT.

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