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DTVMs movimentaram R$ 537 milhões em ouro de garimpos autuados por mercúrio em MT

Operações envolveram quatro instituições financeiras e áreas com irregularidades ambientais apontadas pelo Ibama.

Por Redação VORA News
DTVMs movimentaram R$ 537 milhões em ouro de garimpos autuados por mercúrio em MT

Quatro Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, identificadas como F.D’Gold, Fênix, Coluna e Unida, realizaram compras de ouro no valor de R$ 537 milhões entre 2023 e 2026. O metal foi adquirido de garimpos em Mato Grosso que sofreram autuações do Ibama por uso de mercúrio em desacordo com licenças, armazenamento sem origem legal ou envio de dados falsos.

O maior montante foi registrado pela F.D’Gold, que declarou a compra de 1,1 tonelada de ouro, totalizando R$ 432 milhões, de uma área da Coopemiga em Aripuanã. Anteriormente, em dezembro de 2022, o Ibama autuou a cooperativa por uso irregular da substância na produção de 147,8 kg de ouro e apreendeu 39,4 kg de mercúrio sem comprovação de origem.

Em Poconé, a Adão Afonso Roduí Mineração teve 72,2 kg de mercúrio apreendidos em novembro de 2023. Após esse episódio, as DTVMs Fênix, Coluna e Unida compraram 62,7 kg de ouro da região, somando R$ 33,1 milhões. A empresa alegou, via advogados, que a operação possuía licença ambiental e registro no Cadastro Técnico Federal do Ibama.

Outra autuação ocorreu em junho de 2025 com a Jonas Gimenez Rodrigues Mineração, por operar fora da licença ambiental e manter mercúrio sem prova de origem. Entre julho de 2025 e março de 2026, as instituições Fênix e Coluna adquiriram 118,3 kg de ouro dessa área, no valor de R$ 71,9 milhões.

O Ibama informou que não existe estoque de mercúrio de origem lícita disponível para a mineração de ouro no Brasil, sendo que a última importação legal ocorreu em março de 2017. O Ministério Público Federal afirmou, em nota técnica, que quem utiliza a substância atualmente recorre a procedências ilícitas.

O procurador da República André Porreca destacou que as DTVMs precisam ampliar a fiscalização sobre fornecedores autuados. Ele ressaltou que administradores e instituições financeiras podem responder criminalmente caso fique provado que tinham conhecimento das irregularidades na extração.

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