Gaeco investiga compra de votos para reeleição de presidente da Câmara em Várzea Grande
Operação Cathedra Venalis apura pagamento de R$ 10 mil a vereadores e pressões políticas em Mato Grosso

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso, investiga um esquema de pagamentos para garantir a reeleição de Wanderley Cerqueira (MDB) na presidência da Câmara Municipal de Várzea Grande. A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada nesta terça-feira (20) para apurar a suposta compra de apoio político para o mandato de 2027 a 2028.
De acordo com denúncia de uma testemunha, vereadores teriam recebido cerca de R$ 10 mil e a oferta de cargos na Mesa Diretora. A articulação teria Wanderley Cerqueira como figura central, contando com a participação de Tião da Zaeli, outros agentes políticos e particulares com interesses econômicos.
As investigações indicam que os pagamentos ocorriam na chácara do vereador Miguel Claros Paz Júnior. No local, os parlamentares teriam assinado cartas de renúncia para garantir os votos acordados. Além disso, propostas de cooptação teriam sido feitas no escritório de Wanderley, onde vereadores seriam gravados clandestinamente.
O Gaeco apura que as gravações e as cartas de renúncia eram usadas para constranger e pressionar politicamente os envolvidos, assegurando a continuidade do apoio ao grupo. A testemunha também relatou represálias contra opositores, incluindo ameaças e a exoneração de servidores indicados por vereadores que se afastaram do grupo.
A operação cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Entre os alvos estão 13 vereadores de Várzea Grande, dois vereadores de Cuiabá, a diretora financeira da Câmara e um secretário legislativo.
O objetivo das medidas judiciais é coletar provas sobre a possível atuação de uma organização criminosa. O Gaeco investiga crimes contra a Administração Pública, corrupção e a obtenção de vantagens indevidas por meio da cooptação de agentes públicos.
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