TCE-MT apura interrupção de terapias para crianças em Várzea Grande
Famílias denunciam regressão no desenvolvimento de crianças após fim de contrato entre Seduc e CAMPI.

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) vai apurar a interrupção de atendimentos especializados para crianças neurodivergentes e com deficiência em Várzea Grande. O conselheiro Sérgio Ricardo, presidente do órgão, recebeu representantes de famílias que relatam a regressão no desenvolvimento dos filhos após o encerramento dos serviços no CAMPI.
O CAMPI atendia cerca de 1,2 mil crianças por meio de um contrato com a Seduc, com custo mensal de R$ 980 mil, encerrado em dezembro de 2025. O diretor-geral da instituição, Anacleto Giraldelli Bezerra, afirmou que a Seduc demonstrou interesse na renovação em novembro, mas comunicou a interrupção imediata dos serviços no mês seguinte, sem que houvesse problemas na prestação do serviço.
A Seduc informou que o atendimento passou a ser realizado pela rede estadual, com suporte do Centro de Apoio e Suporte à Inclusão da Educação Especial (Cacies). No entanto, as famílias contestam a eficácia da substituição, relatando que algumas avaliações só ocorreram entre março e abril, enquanto outros pacientes ainda aguardam vaga.
Kellen Carvalho da Silva, representante de famílias atípicas, relatou que seus dois filhos tiveram aumento nas crises após a interrupção. Já o pai Alex Barbosa afirmou que o filho de cinco anos, que já formava frases e ia ao banheiro sozinho após dois anos de terapia, apresentou regressão e aguardou seis meses por atendimento no Cacies.
Além da falta de terapias, os pais apontaram problemas na rede pública de Mato Grosso, como a ausência de professores de apoio especializado, falta de medicamentos, distância dos locais de atendimento e paralisação de obras de um novo espaço especializado.
Dados de auditoria do TCE-MT indicam que 90,3% das famílias de crianças autistas ouvidas já enfrentaram interrupções nos tratamentos, e mais da metade percebeu regressão no desenvolvimento. O Tribunal agora cobra dos municípios informações sobre o número de crianças atendidas para integrar o acompanhamento das contas públicas.
Recentemente, o CAMPI também suspendeu atendimentos de alunos da rede municipal de Várzea Grande devido a atrasos em repasses da Prefeitura. O serviço foi retomado após um acordo para o pagamento de parcelas em atraso, situação que também segue sob acompanhamento do TCE-MT.
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