Facção e criminosos de outros estados furtavam caixas eletrônicos em Cuiabá e VG
Operação Círculo Vicioso revela uso de lança térmica e lavagem de dinheiro em Mato Grosso

Criminosos de outros estados formaram uma aliança com uma facção de Mato Grosso para realizar furtos a caixas eletrônicos em Cuiabá e Várzea Grande. De acordo com o delegado Igor Sasaki, integrantes locais atuavam como olheiros, auxiliavam nos arrombamentos e recebiam depósitos para ocultar a origem do dinheiro roubado.
A investigação da Operação Círculo Vicioso identificou seis crimes ocorridos entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Em quatro dessas ações, os prejuízos somaram R$ 239.980,52. Dois líderes do grupo, que já possuíam passagens pelo Rio de Janeiro e estados do Nordeste, foram presos no Maranhão.
Para romper os cofres, os suspeitos utilizavam uma lança térmica que atinge 4 mil graus Celsius, derretendo o equipamento. Os ataques aconteciam na madrugada, com o uso de máscaras, luvas e lonas para esconder a luz do corte. Em alguns casos, os criminosos abriam buracos nas paredes para invadir os locais.
Após os furtos, o grupo utilizava produtos químicos para limpar a tinta de segurança das cédulas. O dinheiro era então fracionado em contas de diversas pessoas e empresas de fachada para dificultar o rastreamento e simular a legalidade dos valores.
A Polícia Civil dividiu o esquema em quatro núcleos: execução dos furtos, obtenção de dados em redes bancárias, limpeza e lavagem de dinheiro, e os beneficiários finais. A apuração começou após o roubo de R$ 105 mil em um supermercado no bairro Praia Grande, em Várzea Grande, em janeiro.
A operação, conduzida pela GCCO e Draco com apoio de polícias de Santa Catarina, Maranhão e da PRF, soma 74 medidas judiciais. Entre elas, estão dez mandados de prisão, 18 de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 239.980,52 em ativos financeiros.
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