TCE-MT apura interrupção de terapias para crianças em Várzea Grande
Famílias denunciaram falhas no atendimento da rede estadual e a suspensão de serviços especializados em Mato Grosso.

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, conselheiro Sérgio Ricardo, anunciou a apuração de denúncias feitas por famílias de crianças neurodivergentes e com deficiência em Várzea Grande. Os relatos apontam a interrupção de terapias e falhas no atendimento da rede estadual, situação classificada pelo conselheiro como uma vergonha.
Um dos pontos centrais é a suspensão dos serviços no Centro de Atividades Multidisciplinar de Apoio Pedagógico Inclusivo (CAMPI). A interrupção ocorreu após a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) não renovar o contrato com a entidade em dezembro de 2025. O acordo tinha custo mensal de R$ 980 mil, e o diretor-geral do CAMPI, Anacleto Giraldelli Bezerra, negou que a pausa tenha sido causada por falhas no serviço.
As famílias contestam a afirmação da Seduc de que o Centro de Apoio e Suporte à Inclusão da Educação Especial (Cacies) absorveu a demanda. Enquanto a secretaria informa que os atendimentos no Cacies subiram de oito para 60 por dia, as famílias lembram que cerca de 1,2 mil crianças eram assistidas pelo CAMPI, e muitos estudantes seguem sem acesso ao serviço.
Os pais relataram a falta de professores de apoio, medicamentos, vagas e problemas no agrupamento de alunos sem avaliação de suporte. Alex Barbosa afirmou que seu filho de cinco anos perdeu habilidades, como formar frases e ir ao banheiro sozinho, após a suspensão. Kellen Carvalho da Silva, representante de famílias atípicas, relatou que seus filhos aumentaram a frequência de crises após a interrupção.
Uma auditoria do TCE-MT indica que mais de 90% das famílias ouvidas relataram a interrupção do tratamento. O órgão está notificando prefeitos para levantar o número de crianças neurodivergentes e com deficiência nos municípios de Mato Grosso.
Sérgio Ricardo informou que o Plano de Metas Mato Grosso 2050 sugerirá a criação de uma equipe de pais e mães atípicos dentro da Secretaria de Estado de Saúde (SES). O conselheiro afirmou que o tema será tratado como política de Estado.
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