Famílias denunciam interrupção de terapias em Várzea Grande ao TCE-MT
Presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso apura falhas no atendimento a estudantes neurodivergentes e com deficiência.

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, conselheiro Sérgio Ricardo, recebeu nesta quinta-feira (24) famílias que denunciam a interrupção de terapias no Centro de Atividades Multidisciplinar de Apoio Pedagógico Inclusivo (CAMPI), em Várzea Grande. As queixas envolvem falhas no atendimento da rede estadual para alunos com deficiência e neurodivergentes.
De acordo com os relatos, os serviços no CAMPI foram suspensos após a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) não renovar o contrato com a entidade em dezembro de 2025. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 980 mil, totalizando R$ 8,82 milhões no período de nove meses sem atendimento.
O diretor-geral do CAMPI, Anacleto Giraldelli Bezerra, afirmou que a Seduc comunicou a não renovação em 12 de dezembro, determinando a interrupção imediata dos serviços no dia seguinte. Ele ressaltou que a suspensão não ocorreu por falhas na prestação do serviço.
A Seduc informou, via nota, que o atendimento especializado foi transferido para a rede estadual por meio do Centro de Apoio e Suporte à Inclusão da Educação Especial (Cacies). No entanto, as famílias contestam a transição, alegando que as avaliações demoraram a ocorrer e que muitos alunos não conseguiram vaga.
Kellen Carvalho da Silva, representante das famílias, relatou que a interrupção causou aumento nas crises de seus filhos, que passaram de três por mês para nove por semana. Ela afirmou que o grupo busca apenas o cumprimento da lei e mencionou que a obra de um novo prédio de atendimento está parada.
Sérgio Ricardo declarou que a situação será apurada e citou auditoria do TCE-MT indicando que mais de 90% das famílias ouvidas relataram a interrupção do tratamento. O Tribunal também está notificando prefeitos para mapear o número de crianças neurodivergentes nos municípios.
O tema integra o Plano de Metas Mato Grosso 2050, que será entregue a candidatos ao Governo do Estado e ao Senado. O documento deve sugerir a criação de uma equipe composta por pais e mães atípicos na Secretaria de Estado de Saúde (SES).
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