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Defensoria alerta para falta de serviços para idosos em Cuiabá e MT

Aumento da população idosa no estado gera demanda por redes de cuidado e maior número de mediações familiares.

Por Redação VORA News
Defensoria alerta para falta de serviços para idosos em Cuiabá e MT

Pessoas com 60 anos ou mais representam 11,8% da população de Mato Grosso, conforme o último Censo. O índice de envelhecimento no estado subiu de 30,7 em 2010 para 51,9 em 2022, o que significa que existem quase 52 idosos para cada 100 crianças de até 14 anos. A idade mediana dos habitantes de MT também subiu de 27 para 32 anos no período.

A defensora pública Elianeth Nazário, coordenadora do Núcleo de Mediação e Conciliação, afirma que o serviço público e as famílias não estão preparados para esse cenário. Em Cuiabá, a capital, não existe uma instituição pública de longa permanência para idosos. O Abrigo Bom Jesus, entidade filantrópica que atende cerca de 90 pessoas, possui limitações financeiras e de pessoal para ampliar as vagas, resultando em uma fila de espera com mais de 80 pessoas.

A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso identifica diversas formas de violência contra esse público, incluindo agressões físicas, negligência, omissão e isolamento. Elianeth Nazário destaca o abandono afetivo inverso, quando filhos deixam de dar assistência psicológica ou afastam os pais da convivência familiar, o que pode causar depressão e perda de habilidades cognitivas e físicas.

Para resolver conflitos sobre a divisão de cuidados, a Defensoria realiza mediações familiares. O número de pedidos em Cuiabá cresceu progressivamente: foram 33 mediações em 2023, 48 em 2024 e 61 em 2025. Somente entre janeiro e setembro de 2026, já foram contabilizadas 66 sessões, totalizando 208 mediações de cuidados com idosos.

Nesses encontros, são definidas responsabilidades sobre alimentação, saúde, moradia e acompanhamento médico. Após as sessões, a Defensoria orienta a família e encaminha o idoso para Centros de Convivência de Idosos para garantir acesso a lazer e cultura.

A instituição atua em casos de vulnerabilidade, como dificuldades para conseguir exames, consultas e medicamentos, além de abusos financeiros e conflitos familiares. Dependendo da situação, a Defensoria pode oferecer orientação, buscar soluções extrajudiciais ou adotar medidas judiciais para quem não pode pagar advogado.

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