Presidente do TCE em Cuiabá é filmado sacando R$ 500 mil em espécie
Conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida foi preso preventivamente após PF identificar retiradas milionárias em Mato Grosso.

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, foi filmado no dia 30 de setembro de 2025 realizando um saque de R$ 500 mil no posto do Sicoob localizado dentro do tribunal, em Cuiabá. Acompanhado da chefe de gabinete, Roseli Loss, e de Adriangelo Barros Antunes, o conselheiro declarou ao banco que o valor seria para uso pessoal.
A Polícia Federal apurou que, entre janeiro e outubro de 2025, foram feitos 150 saques nas contas do conselheiro, totalizando R$ 15.645.502. Desse montante, R$ 15,47 milhões foram retirados diretamente no caixa. O mês de setembro registrou a maior movimentação, com R$ 2,55 milhões sacados.
As investigações revelam que o TCE creditou R$ 15.991.918,64 nas contas de Sérgio Ricardo no mesmo período, média de R$ 1,6 milhão por mês, valor superior ao teto do funcionalismo de R$ 46.366,19. A PF concluiu que 97,8% desses créditos foram utilizados para abastecer os saques em dinheiro vivo.
A Procuradoria-Geral da República identificou um padrão de retiradas entre R$ 49 mil e R$ 49,9 mil, evitando o limite de R$ 50 mil que obriga a comunicação automática ao Coaf. Além disso, Roseli Loss atuou como sacadora de valores nas contas do chefe, inclusive em operações de R$ 200 mil e R$ 340 mil em 2024.
A PF trabalha com a hipótese de peculato, citando a possibilidade de rachadinha, já que a análise patrimonial não encontrou aumento de bens no nome do conselheiro. Enquanto o Portal da Transparência informou pagamentos de R$ 288.501,05, a quebra de sigilo bancário mostrou créditos efetivos de mais de R$ 15,4 milhões.
A prisão preventiva de Sérgio Ricardo e de outras cinco pessoas foi decretada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça. O magistrado também determinou o cancelamento de procurações nas contas dos investigados e proibiu novos saques em espécie por procuradores.
O conselheiro, que ingressou no tribunal em 2012, foi reconduzido à presidência em junho de 2025 para o biênio 2026-2027. A defesa do investigado pediu habilitação no processo na última quinta-feira, mas ainda não se manifestou sobre as acusações.
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