PF investiga esquema de propina e pressão em tribunal de contas em Cuiabá
Operação Tomada de Contas apura irregularidades em pagamentos a fornecedores do TCE-MT

A Polícia Federal deflagrou a Operação Tomada de Contas para investigar um suposto esquema de cobrança de propina e pressão contra fornecedores do Tribunal de Contas de Mato Grosso, em Cuiabá. A ação teve início após uma denúncia anônima detalhar a rotina financeira da instituição, apontando que pagamentos seriam liberados apenas para empresas que aceitassem devolver parte dos valores.
A investigação, determinada pelo ministro Og Fernandes do Superior Tribunal de Justiça a pedido do Ministério Público Federal, envolve o conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, que era presidente do órgão na época dos fatos. O relato indica que a Presidência teria utilizado portarias de contenção orçamentária para suspender contratos, enquanto algumas empresas continuavam recebendo recursos ou aumentavam seu faturamento.
De acordo com as apurações, o dinheiro retornaria ao grupo ligado à Presidência por meio de saques em espécie na agência do Sicoob localizada dentro do TCE-MT. A Polícia Federal identificou Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, Fernando Márcio Vareiro e André Luiz Prieto como pessoas citadas no esquema, que envolveria também assessores e o setor jurídico do Tribunal.
A Procuradoria-Geral da República confirmou a existência das portarias de suspensão de contratos publicadas em agosto e prorrogadas até dezembro de 2024. Os investigadores notaram que outubro de 2024, período de vigência dessas medidas, registrou o maior volume de pagamentos do ano, totalizando cerca de R$ 116 milhões.
Durante diligência em 14 de outubro de 2025, agentes federais relataram ter presenciado Roseli Loss e Adriangelo Barros Antunes em uma operação de saque, na qual Adriangelo teria recolhido valores em uma mochila. A PF observou que a rotina de saques mudou abruptamente após essa ação, sugerindo que o sigilo da investigação possa ter sido comprometido.
A Operação Tomada de Contas apura a existência de organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública. Os investigados são considerados inocentes até que ocorra uma condenação definitiva.
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